Questão FC280282
Em 26 de janeiro de 1893 uma grande quantidade de pessoas se juntou para acompanhar a demolição do cortiço Cabeça de Porco. Assim como os outros cortiços que proliferaram pelas rua
História Geral
IDECAN · 2022
Em 26 de janeiro de 1893 uma grande quantidade de pessoas se juntou para acompanhar a demolição do cortiço Cabeça de Porco. Assim como os outros cortiços que proliferaram pelas ruas do Rio no século XIX, ele serviu de moradia às classes pobres da Corte (trabalhadores livres, libertos e escravizados), que, com a necessidade de procurar serviço diariamente, optavam por residir no centro da cidade – local com maior demanda de mão de obra. [...] Entre todos os cortiços, o Cabeça de Porco veio a se tornar um dos mais famosos e populosos: estima-se que lá moravam cerca de 2 mil pessoas. [...] Alinhada ao discurso higienista, a Câmara Municipal criou uma série de posturas que visavam a dar fim às estalagens, principalmente, a partir dos anos 1870.
https://riomemorias.com.br/memoria/cabeca-de-porco/
O “discurso higienista” apresentado no texto propunha
- a erradicação dos espaços insalubres e o planejamento das zonas periféricas.
- a restauração das edificações seculares e a “gentrificação” destes espaços.
- o combate à especulação imobiliária e à cobrança de aluguéis abusivos.
- a reconstrução das moradias populares para liberar espaços nobres e centrais.
- a sanitização elitista e excludente que levou à favelização dos pobres urbanos.
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Gabarito
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Comentário do professor
O discurso higienista apresentava-se como preocupação com a salubridade urbana, usando argumentos técnicos e médicos para justificar intervenções na cidade.
Na prática, porém, converteu‑se numa sanitização elitista e excludente: medidas de limpeza e reforma do espaço público privilegiavam áreas nobres e exigiam a remoção de populações pobres dos centros.
Sem políticas habitacionais adequadas, a expulsão dos moradores de cortiços e becos empurrou essas populações para locais periféricos e morros, onde surgiram aglomerados precários.
Assim, o higienismo funcionou como justificativa técnica para intervenções que produziriam a favelização — ou seja, a segregação residencial e a perda de acesso ao centro urbano pelos mais pobres.
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