Questão FC280306
A obra “Cartas Chilenas”, cujo trecho será apresentado, destaca dois personagens: Critilo, autor da carta, e Doroteu, destinatário da carta, pseudônimo do próprio autor Tomás Antôn
História Geral
IDECAN · 2016
A obra “Cartas Chilenas”, cujo trecho será apresentado, destaca dois personagens: Critilo, autor da carta, e Doroteu, destinatário da carta, pseudônimo do próprio autor Tomás Antônio Gonzaga, e de seu amigo e também escritor, Cláudio Manoel da Costa. As cartas relatam os desmandos do fictício governador chileno Fanfarrão Minésio:
“Às vezes, Doroteu, se perde a conta
Dos cem açoites, que no meio estava,
Mas outra nova conta se começa.
Os pobres miseráveis já nem gritam.
Cansados de gritar, apenas soltam
Alguns fracos suspiros, que enternecem.
Que é isso, Doroteu, tu já retiras
Os olhos do papel? Tu já desmaias?
Já sentes as moções, que alheios males
Costumam infundir nas almas ternas?
Pois és, prezado amigo, muito fraco,
Aprende a ter o valor do nosso chefe
Que à janela se pôs e a tudo assiste
Sem voltar o semblante para a ilharga.
E pode ser, amigo, que não tenha
Esforço, para ver correr o sangue,
Que em defesa do trono se derrama.”
(GONZAGA. Tomas Antônio. Cartas Chilenas. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/dowload/texto/bv0003000.pdf.)
Cartas Chilenas é um conjunto de poemas, escritos em versos com uma metrificação parecida com a da epopeia, cujos versos assumem um tom satírico, atacando problemas sociais, políticos e econômicos da época em que foi veiculado, ou seja:
- Na época da Conjuração Baiana.
- No contexto da Inconfidência Mineira.
- Na época da Insurreição Pernambucana.
- No período referente à Confederação do Equador.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Cartas Chilenas, de Tomás Antônio Gonzaga, é uma sátira que critica a administração colonial e os abusos locais por meio de personagens e pseudônimos.
O contexto histórico é a Inconfidência Mineira: movimento das elites de Minas Gerais, no final do século XVIII, motivado sobretudo pelos altos impostos e pela opressão colonial.
Gonzaga e Cláudio Manoel da Costa (representado em parte pela voz de Doroteu) tinham ligações com os inconfidentes e compartilhavam ideias do Iluminismo, que inspiravam o projeto republicano e a crítica à metrópole.
Assim, a obra funciona como um texto político de oposição à ordem vigente, inserindo-se diretamente no clima ideológico e social da Inconfidência Mineira.
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