Questão FC280322
“Quando o doente se acostuma ao seu estado de vigília, começavam a apagar-se da sua memória as lembranças da infância, em seguida o nome e a noção das coisas, e por último a identi
Historiografia e Teoria da História
IDECAN · 2019
“Quando o doente se acostuma ao seu estado de vigília, começavam a apagar-se da sua memória as lembranças da infância, em seguida o nome e a noção das coisas, e por último a identidade das pessoas e ainda a consciência do próprio ser, até se afundar numa idiotice sem passado.”
MÁRQUEZ, Gabriel García. Cem anos de solidão. – 59ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 47-48.
“Um novo regime de historicidade, centrado sobre o presente, estaria se formulando no Ocidente? A partir da Queda do Muro de Berlim (1989), ocorreu um crescimento rápido da categoria do presente e se impôs a evidência de um presente onipresente, nomeado de presentismo, onde se vive entre a amnésia e a vontade de nada esquecer.”
HARTOG, François. Tempo e patrimônio. Varia História, Belo Horizonte, vol.22, nº36, p.261-273, jul./dez., 2006. (com adaptações)
Relacionando as consequências da epidemia de insônia que acometeu a Macondo de Cem anos de solidão com as implicações que o presentismo traz para a nossa experiência histórica atual, é correto afirmar que a função social do historiador na sociedade atual deve ser:
- Empreender um mapeamento científico dos acontecimentos passados de modo a orientar seguramente os homens no caminho a ser trilhado no futuro.
- Extrair dos fatos, através dos documentos, as leis que regem os grupos humanos, explicando assim a configuração atual da sociedade.
- Fornecer à sociedade uma análise do passado eficiente para impedir futuras guerras e crises, bem como capaz de evitar catástrofes sociais.
- Impedir que o presente seja vivido solitária e silenciosamente, estabelecendo-se como mediador de um diálogo entre os homens do presente e os do passado.
- Promover uma reconstituição fiel do passado através do colecionamento de datas e fatos dispostos em ordem cronológica.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa destaca que, diante do presentismo — a tendência a viver apenas no presente, sem vínculo com o passado — a função social do historiador é atuar como mediador. Em vez de deixar o presente "solitário e silencioso", o historiador restabelece conexões temporais que resgatam sentidos e responsabilidades coletivas.
Esse papel implica recuperar e interpretar memórias, contextualizar problemas atuais com trajetórias históricas e promover o diálogo entre gerações. Ao fornecer narrativas críticas, o historiador combate a amnésia social e amplia a compreensão das escolhas presentes.
Assim, não se trata apenas de preservar fatos, mas de articular saberes e vozes, contribuindo para uma experiência histórica compartilhada e para decisões públicas mais informadas.
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