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Questão FC280324

Trecho I “Quando o historiador busca estabelecer, no lugar do poder, as regras da conduta política e as melhores instituições políticas, representa o príncipe que não é; analisa o

Historiografia e Teoria da História

IDECAN · 2017

Trecho I

 

“Quando o historiador busca estabelecer, no lugar do poder, as regras da conduta política e as melhores instituições políticas, representa o príncipe que não é; analisa o que deveria fazer o príncipe. Essa é a ficção que abre ao seu discurso o espaço onde se inscreve. [...] Ele depende do ‘príncipe de fato’ e produz o ‘príncipe possível’.”

 

(Michel De Certeau, A escrita da História.)

 

 

Trecho II

 

“Ora, a história é a matéria-prima para as ideologias nacionalistas ou étnicas ou fundamentalistas, tal como as papoulas são a matéria-prima para o vício da heroína. O passado é um elemento essencial nessas ideologias. Se não há nenhum passado satisfatório, sempre é possível inventá-lo [...]”

 

(Eric Hobsbawm, Sobre história.)

 

 

Em ambos os trechos, os autores:

  1. Destacam a ausência total de neutralidade do papel do historiador na construção da história.
  2. Apontam para a impossibilidade, no ofício de escrever a história, do uso de técnicas ou métodos científicos.
  3. Evidenciam o sentido político e social da ação do historiador como selecionador de determinados conteúdos.
  4. Definem a função do historiador como a de ser um expositor que faz um encadeamento de fatos documentais e comprovados.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa escolhida destaca que ambos os trechos evidenciam o sentido político e social da ação do historiador como selecionador de conteúdos.

De Certeau mostra que o historiador, ao propor regras e modelos, atua como quem produz o “príncipe possível”, isto é, constrói representações que dependem do contexto de poder e das opções interpretativas.

Hobsbawm alerta que o passado pode ser apropriado ou mesmo “inventado” por projetos ideológicos, o que reafirma que a escolha do que narrar não é neutra, mas tem consequências sociais.

Portanto, ambos indicam que escrever história implica escolhas de fontes, ênfases e silêncios: uma prática interpretativa com efeitos políticos, exigindo responsabilidade na seleção e na apresentação dos conteúdos.

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