Questão FC280327
“Em vez de uma essência eterna, de uma ideia platônica, a disciplina chamada história é uma realidade, em si mesma, histórica, ou seja, situada no tempo e no espaço, assumida por h
Historiografia e Teoria da História
IDECAN · 2016
“Em vez de uma essência eterna, de uma ideia platônica, a disciplina chamada história é uma realidade, em si mesma, histórica, ou seja, situada no tempo e no espaço, assumida por homens que se dizem historiadores e que são reconhecidos como tais, além de ser aceita como história por diversos públicos. Em vez de uma história sub specie aeternitatis (sob a forma de eternidade), cujas características tivessem atravessado, sem qualquer alteração, as vicissitudes do tempo, existem diferentes produções que os contemporâneos de determinada época estão de acordo em considerar como história: ou seja, antes de ser uma disciplina científica – segundo sua pretensão e, até certo ponto, conforme ela o é efetivamente –, a história é uma prática social.”
(Prost, 2008, p. 13.)
Em relação ao conceito de história como memória e prática social, é correto afirmar que:
- A narrativa histórica é sempre derivada da memória, não apenas das sociedades sem escrita, mas também nas sociedades contemporâneas que se utilizam da escrita. Ela é a prática que dá sentido ao passado.
- As celebrações e comemorações que, com o aparecimento da escrita, intensificadas na demarcação de um calendário e de um registro que se torna documento, são, numa primeira instância, as criadoras da historiografia.
- Centrada na oralidade, a memória das sociedades, de uma maneira geral, cumpre o papel de transmitir conhecimentos considerados importantes pelo grupo dominante, em detrimento à memória dos grupos desprivilegiados.
- A memória e a história são produzidas na prática social como patrimônio de homens, mulheres e crianças evidenciando como ela é construída, apropriada como a história do grupo, constituindo seu patrimônio imaterial sob a materialidade do espaço vivido.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa ressalta que memória e história não são dados naturais ou eternos, mas produtos de uma prática social: são geradas, negociadas e transmitidas por pessoas que vivem em grupos e em tempos determinados.
Essa produção envolve homens, mulheres e crianças, que participam de rituais, narrativas e usos cotidianos do espaço; por isso a história é construída e apropriada como a história do grupo, não apenas como relato científico.
Ao constituírem-se como saber coletivo, essas memórias tornam-se patrimônio imaterial, mas sempre inscritas na materialidade do lugar vivido — monumentos, bairros, festas, objetos e percursos que fixam e comunicam sentidos.
Para o ensino, isso significa reconhecer fontes diversas e valorizar práticas sociais locais na construção do conhecimento histórico.
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