Questão FC280333
“Lampião, falecido em 1938, foi o mais famoso dos cangaceiros do Nordeste [...]. O apogeu do banditismo [...] [no] nordeste brasileiro [...] [é] do período que medeia entre aproxim
Questões sem classificação de assunto (História)
IDECAN · 2025
“Lampião, falecido em 1938, foi o mais famoso dos cangaceiros do Nordeste [...]. O apogeu do banditismo [...] [no] nordeste brasileiro [...] [é] do período que medeia entre aproximadamente 1890 e 1940.”
(HOBSBAWM, Eric. Rebeldes primitivos. Estudo sobre as formas arcaicas de movimentos sociais nos séculos XIX e XX. Barcelona: Ariel, 1983. p. 300)
Sobre o ataque de Virgulino Ferreira da Silva (c. 1900-1938) e seu bando à cidade de Mossoró, em 1927, e o fenômeno do cangaceirismo no contexto histórico do Brasil agrário-oligárquico do início do século XX, assinale a afirmativa correta.
- O cangaço, representado por Lampião, sempre se manteve sob controle direto do Estado brasileiro, funcionando como instrumento de repressão aos movimentos sociais rurais no Nordeste.
- O ataque de Lampião a Mossoró ilustra a complexidade do cangaço como fenômeno social ambíguo, no qual se misturavam elementos de banditismo, clientelismo e resistência difusa à ordem oligárquica do sertão.
- O ataque de Lampião a Mossoró representou uma aliança entre o cangaço e os setores revolucionários urbanos da classe operária, visando à derrubada do poder oligárquico republicano vigente.
- O ataque a Mossoró demonstrou que Lampião buscava romper com a lógica do banditismo tradicional e se engajar na luta política institucional, estabelecendo diálogo com partidos populares e sindicatos.
- A escolha de Mossoró por Lampião teve como objetivo central
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Gabarito
B
Comentário do professor
O ataque a Mossoró em 1927 exemplifica a natureza ambígua do cangaço: não se trata apenas de crime isolado, mas de um fenômeno social inscrito nas relações do sertão.
Havia claramente elementos de banditismo — saques, violência e busca por recursos —, simultaneamente entrelaçados com práticas de clientelismo, quando cangaceiros mantinham vínculos táticos com coronéis, coiteiros e setores locais para obter abrigo, informação ou impunidade.
Ao mesmo tempo, as ações de Lampião assumiam dimensão de resistência difusa: confrontavam a ordem oligárquica e o monopólio da justiça estatal no campo, gerando ambivalência popular (temor e admiração) e obrigando o Estado a responder militarmente.
Assim, o episódio ilustra um fenômeno social complexo, híbrido entre violência criminal, redes clientelistas e desafio à hegemonia rural.
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