Questão FC280334
“‘Depois da grande seca (1877) desenvolveu-se em toda a província um mal terrível. A cascavel — Crotalos horridos — devastou os sertões de um modo assombroso. Apareciam estes terrí
Questões sem classificação de assunto (História)
IDECAN · 2025
“‘Depois da grande seca (1877) desenvolveu-se em toda a província um mal terrível. A cascavel — Crotalos horridos — devastou os sertões de um modo assombroso. Apareciam estes terríveis répteis com tal abundância que indivíduos havia que tinham morto para mais de 500 em pouco tempo. A vida do sertanejo e do gado que escapou da seca corria o risco de acabar ao dente do peçonhento animal.’ Assim escreve Virgílio Brígido, no prefácio a 'A Fome', de Rodolfo Teófilo.”
(CASTRO, Josué. Geografia da fome: o dilema brasileiro: pão ou aço. Rio de Janeiro: Antares, 1984. p. 244.)
Considerando o impacto social e ambiental da grande seca de 1877 no Rio Grande do Norte, à luz do trecho apresentado pelo geógrafo brasileiro Josué de Castro (1908-1973) e da forma como as elites e o Estado lidaram com as catástrofes naturais e sanitárias no Nordeste, assinale a alternativa correta.
- As epidemias e crises sanitárias do final do século XIX no Rio Grande do Norte foram desencadeadas por práticas culturais tradicionais dos sertanejos, que rejeitavam qualquer forma de modernização trazida pelo Estado.
- A seca de 1877, embora grave, não teve implicações sanitárias relevantes, sendo apenas uma crise de produção agrícola que foi rapidamente superada com ajuda externa, de empresas estadunidenses.
- A seca de 1877 e suas consequências evidenciam o abandono institucional das populações nordestinas, revelando um ciclo histórico de naturalização da miséria e ausência de políticas públicas estruturantes.
- A chegada das serpentes cascavéis, conforme descrito por Virgílio Brígido, deve ser interpretada como uma alegoria literária que representa a degradação moral dos sertanejos, sendo responsabilizada pela disseminação de doenças.
- O colapso social causado pela seca de 1877 foi resolvido pelas ações eficientes do Império, que criou um amplo e eficiente sistema de combate à fome e aos problemas sanitários do interior nordestino.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa seca de 1877 e suas consequências, como descritas por Josué de Castro e o relato de Virgílio Brígido, apontam para um quadro de abandono institucional: a tragédia não foi apenas natural, mas potencializada pela insuficiência de ações estatais e pela apatia das elites.
Essa omissão gerou a naturalização da miséria — ou seja, a aceitação social da fome, das epidemias e do êxodo como fatos inerentes ao sertão — e aprofundou o sofrimento por meio de respostas pontuais e temporárias, sem investimentos em políticas públicas estruturantes (infraestrutura hídrica, saúde pública, proteção social) capazes de romper o ciclo de vulnerabilidade.
Portanto, a leitura histórica correta é a de um problema social e ambiental reiterado pela ausência de ação estatal planejada e contínua, e não de uma calamidade puramente natural.
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