Questão FC280359
“Ao recuperar a independência, Portugal encontrou-se em posição extremamente débil [...]. Por outro lado, o pequeno reino, perdido o comércio oriental e desorganizado o mercado do
Questões sem classificação de assunto (História)
IDECAN · 2025
“Ao recuperar a independência, Portugal encontrou-se em posição extremamente débil [...]. Por outro lado, o pequeno reino, perdido o comércio oriental e desorganizado o mercado do açúcar, não dispunha de meios para defender o que lhe sobrara das colônias numa época de crescente atividade imperialista. A neutralidade em face das grandes potências era impraticável. Portugal compreendeu, assim, que para sobreviver como metrópole colonial deveria ligar o seu destino a uma grande potência, o que significaria necessariamente alienar parte de sua soberania. Os acordos concluídos com a Inglaterra em 1642- 54-61 estruturaram essa aliança que marcará profundamente a vida política e econômica de Portugal e do Brasil durante os dois séculos seguintes.”
(FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Cia Editeis Nacional, 2003. p. 42.)
No que se refere à empresa açucareira no Brasil colonial, assinale a afirmativa que corresponde corretamente a tese exposta por Celso Furtado.
- A produção de açúcar no Brasil colonial manteve-se estável ao longo de todo o período colonial, sem grandes variações nos preços ou na demanda, o que garantiu a prosperidade contínua dos senhores de engenho.
- Seria difícil explicar o grande êxito da empresa açucareira sem ter em conta a cooperação comercial-financeira holandesa.
- A empresa açucareira no Brasil colonial se desenvolveu de maneira totalmente independente, sem influência externa significativa, baseando-se exclusivamente no capital e no conhecimento técnico da Coroa portuguesa.
- A expulsão dos holandeses do Nordeste brasileiro em 1654 teve pouco impacto na economia açucareira, pois Portugal rapidamente reorganizou a produção e o comércio sem sofrer prejuízos duradouros.
- A parceria entre Portugal e a Inglaterra, estabelecida ao longo do século XVII, garantiu a Portugal uma posição privilegiada no mercado açucareiro, tornando-o imune às oscilações econômicas e concorrências internacionais.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa indica que o sucesso da cana-de-açúcar no Brasil colonial só se explica considerando a cooperação comercial-financeira holandesa. Isso dialoga com a ideia de Furtado sobre a dependência externa: como metrópole fragilizada, Portugal e os senhores de engenho precisaram recorrer a capitais, navios e mercados estrangeiros.
Os mercadores holandeses forneceram crédito, transporte marítimo, redes de comercialização e técnicas de refinação, além de absorverem grande parte do açúcar no mercado europeu. A ocupação de Pernambuco (1630–1654) consolidou esse fluxo, integrando a produção brasileira às cadeias financeiras e comerciais neerlandesas.
Portanto, o êxito da empresa açucareira não decorre apenas de fatores internos (clima, solo, mão de obra), mas da articulação com o capital e a infraestrutura holandeses, conforme sugere a tese de dependência externa de Furtado.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em