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Questão FC319331

O ocaso das sacolas O fim de sacolas plásticas em supermercados paulistas é um ótimo negócio para redes varejistas, uma conveniente cortina de fumaça para o poder público, um leve

Ortografia e Gramática (redação Oficial)

FGV · 2012

O ocaso das sacolas

 

O fim de sacolas plásticas em supermercados paulistas é um ótimo negócio para redes varejistas, uma conveniente cortina de fumaça para o poder público, um leve golpe contra o bolso do consumidor e uma medida de impacto provavelmente baixo para o planeta.

 

Ao contrário do que se diz, as tais sacolinhas plásticas nunca foram gratuitas. Seu custo estava embutido no das compras que fazíamos. Explicitá‐lo por meio de um preço é, em princípio, algo positivo, pois isso torna mais transparentes as relações de consumo e ajuda a promover hábitos menos extravagantes.

 

Mas, como é altamente improvável que a mudança resulte na correspondente redução dos preços nas gôndolas, os supermercados acabam se dando bem, porque, numa canetada, eliminam um custo e ganham uma nova fonte de receita, posando ainda de campeões da ecologia.

 

Algo parecido vale para o poder público. Ele aparece na foto como defensor do ambiente por ter promovido o acordo e pouca gente lembra que sua lista de omissões nessa área é grande. O volume de lixo reciclado ainda é risível e há pouquíssimas usinas de compostagem, para citar apenas dois pecadilhos diretamente relacionados a resíduos sólidos.

 

O consumidor leva prejuízo porque as sacolas escolhidas para substituir o plástico são as de milho. Relativamente caras, custarão R$ 0,19 cada uma. É questionável ainda a ideia de embalar comida com comida. Tirar milho de galinhas e pipoqueiros para produzir invólucros tende a inflacionar o setor de alimentos.

 

Em termos ambientais, as sacolas são um estorvo, mas nem de longe o maior problema. Reduzir seu uso sem criar dificuldades maiores é uma meta louvável. Cumpri‐la implicará custos, que terão de ser pagos pelos consumidores. O que irrita, no Brasil, é que governantes e lobbies são rápidos para estender a conta ao cidadão, mas muito lentos, para não dizer abúlicos, em fazer a sua parte.

 

(Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 24 de janeiro de 2012)

 

Relativamente caras, custarão R$ 0,19 cada uma.

 

Assinale a alternativa em que se tenha alterado o trecho sublinhado no período acima em consonância com a norma culta e com as recomendações de boa redação contidas no Manual de Redação da Presidência da República. Não leve em conta alterações de sentido.

  1. Relativamente cara, custará R$ 0,19 cada.
  2. Custarão relativamente caro, R$ 0,19 cada uma.
  3. R$ 0,19 cada, custará relativamente caro.
  4. Custará relativamente caras, R$ 0,19 cada uma.
  5. Custarão relativamente caras, R$ 0,19 cada.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Custarão relativamente caro, R$ 0,19 cada uma. está correta porque preserva a concordância verbal: o verbo custarão vem no plural, concordando com o sujeito subentendido (sacolas).

Na locução "custar relativamente caro", a palavra caro atua como advérbio (sentido de "em alto preço"/"muito"), logo é invariável e não flexiona em número. O modificador relativamente apenas atenua esse sentido.

Assim, a construção evita colocar um adjetivo flexionado após o verbo, o que deslocaria a referência para o substantivo e exigiria concordância em plural. Mantém-se, portanto, a correção gramatical e a clareza recomendadas pelo Manual de Redação.

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