Questão FC337460
Atenção: Leia o trecho do romance “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, para responder à questão. Visões e reminiscências iam assim comendo o tempo e o espaço ao conselheiro Aires, a
Morfologia
FCC · 2023
Atenção: Leia o trecho do romance “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, para responder à questão.
Visões e reminiscências iam assim comendo o tempo e o espaço ao conselheiro Aires, a ponto de lhe fazerem esquecer o pedido de Natividade; mas não o esqueceu de todo, e as palavras trocadas há pouco surdiam-lhe das pedras da rua. Considerou que não perdia muito em estudar os rapazes. Chegou a apanhar uma hipótese, espécie de andorinha, que avoaça entre árvores, abaixo e acima, pousa aqui, pousa ali, arranca de novo um surto e toda se despeja em movimentos. Tal foi a hipótese vaga e colorida, a saber, que se os gêmeos tivessem nascido dele talvez não divergissem tanto nem nada, graças ao equilíbrio do seu espírito. A alma do velho entrou a ramalhar não sei que desejos retrospectivos, e a rever essa hipótese, ele pai, estes meninos seus, toda a andorinha que se dispersava num farfalhar calado de gestos.
(Adaptado de: ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)
Um vocábulo também pode ser formado quando passa de uma classe gramatical a outra, sem a modificação de sua forma. É o que se denomina derivação imprópria. Constitui exemplo de derivação imprópria o termo sublinhado em:
- “andorinha que se dispersava num farfalhar calado de gestos”.
- “a ponto de lhe fazerem esquecer o pedido de Natividade”.
- “Considerou que não perdia muito em estudar os rapazes”.
- “Chegou a apanhar uma hipótese”.
- “A alma do velho entrou a ramalhar não sei que desejos retrospectivos”.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
A
Comentário do professor
Na frase "andorinha que se dispersava num farfalhar calado de gestos", o destaque recai sobre farfalhar.
Trata‑se de derivação imprópria, processo em que uma palavra muda de classe gramatical sem alteração formal. Aqui, um elemento cuja base é verbal passa a funcionar como substantivo.
A evidência sintática é clara: farfalhar vem introduzido por num (em + um), o que sinaliza a presença de um artigo e, portanto, a substantivação do termo.
Sem alteração de sufixos ou prefixos, o verbo "farfalhar" assume valor nominal — designa um som/acontecimento — e integra o sintagma nominal "um farfalhar calado de gestos".
Conclusão: farfalhar é exemplo clássico de derivação imprópria (verbo → substantivo) no contexto dado.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em