Questão FC337486
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Poesia e ciência É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enq
Morfologia
FCC · 2024
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Poesia e ciência
É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão científica prevalecente na época.
Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente 96 e 55 a.C. Em um mundo completamente dominado por religiões politeístas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência caga à autoridade. O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:
“Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos [...] Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e, desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.
Dais mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, poeta da ciência e da lucidez apaixonada.
* Este texto foi publicado em 1988.
(Adaptado de GLEISER, Marcela. Retalhos cósmicos. São Paulo. Companhia das Letras, 1999, p. 21-22)
As palavras de Lucrécio podem liberar as criaturas do medo supersticioso se elas reconhecerem sua corajosa lucidez.
A correlação entre os tempos e os modos verbais do período acima manter-se-á plenamente adequada caso se substituam as formas sublinhadas, na ordem dada, por:
- liberarão - se elas houvessem reconhecido
- poderão liberar - caso elas venham a reconhecer
- poderiam liberar - caso elas tenham reconhecido
- liberariam - quando elas reconhecerem
- terão liberado - se elas reconhecessem
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Gabarito
B
Comentário do professor
Correlação verbal: a oração principal usa o futuro do presente ("poderão liberar"), que indica possibilidade futura real. A conjunção condicional caso pede, para expressar condição possível, o presente do subjuntivo na oração subordinada.
Na forma escolhida, "venham a reconhecer" combina o presente do subjuntivo do verbo vir ("venham") com o infinitivo ("a reconhecer"), formando uma locução verbal que indica uma hipótese futura/possível. Essa construção realça a condição eventual sem quebrar a sequência temporal.
Portanto, a sequência "poderão liberar — caso elas venham a reconhecer" mantém a correlação exigida entre tempo e modo verbal, adequando a ideia de possibilidade futura condicionada.
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