Questão FC337535
Atenção: Leia o texto para responder à questão. Chamamos nossa espécie de Homo sapiens - o humano sábio. Mas é discutível até que ponto temos feito jus ao nome. Nos últimos 100 mil
Morfologia
FCC · 2024
Atenção: Leia o texto para responder à questão.
Chamamos nossa espécie de Homo sapiens - o humano sábio. Mas é discutível até que ponto temos feito jus ao nome.
Nos últimos 100 mil anos, nós, sapiens, certamente acumulamos um poder enorme. A mera listagem de todas as nossas descobertas, invenções e conquistas ocuparia muitos volumes. Mas poder não é sabedoria e, depois de 100 mil anos de descobertas, invenções e conquistas, a humanidade se arrastou para uma crise existencial. Estamos à beira da catástrofe ambiental, causada pelo mau uso do nosso próprio poder. Também estamos criando novas tecnologias, como a IA (Inteligência Artificial), que podem nos escravizar ou nos aniquilar. Mas em vez de a nossa espécie se unir para lidar com esses grandes problemas existenciais, as tensões internacionais estão aumentando, a cooperação global vem se tornando mais difícil, os países estão ampliando seus arsenais de aniquilação total, e não parece impossível que uma nova guerra mundial aconteça.
Apesar da espantosa quantidade de informação à nossa disposição, somos tão suscetíveis à fantasia e à ilusão quanto nossos ancestrais antigos. Por que somos tão bons em acumular mais informação e poder, mas muito menos hábeis em adquirir sabedoria? Muitas tradições ao longo da história acreditaram que temos alguma imperfeição fatal que desperta a tentação de buscar poderes com que não sabemos lidar.
(HARARI, Yuval. Nexus. Companhia das Letras, edição digital. Adaptado)
No contexto em que se insere, estabelece uma oposição o seguinte trecho:
- Apesar da espantosa quantidade de informação à nossa disposição.
- Também estamos criando novas tecnologias, como a IA (Inteligência Artificial).
- somos tão suscetíveis à fantasia e à ilusão quanto nossos ancestrais antigos.
- causada pelo mau uso do nosso próprio poder.
- Estamos à beira da catástrofe ambiental.
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Gabarito
A
Comentário do professor
"Apesar da" introduz, no trecho destacado, uma relação de oposição. Trata-se de uma locução prepositiva concessiva que admite um dado (a abundância de informação) e, ao mesmo tempo, contrapõe-lhe outra realidade implícita no contexto (a falta de sabedoria).
Na concessão há sempre um contraste: o elemento introduzido podia reduzir, impedir ou modificar a consequência esperada, mas o enunciador ressalta que, mesmo assim, algo merece ser observado. Por isso falamos em oposição entre o fato reconhecido e a ideia que o texto desenvolve.
Aplicado ao excerto: apesar da espantosa quantidade de informação contrapõe-se a vulnerabilidade humana e a crise existencial — isto é, muita informação não se converte automaticamente em sabedoria.
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