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Questão FC337560

Considere o poema do escritor paraibano Augusto dos Anjos. Como um fantasma que se refugia Na solidão da natureza morta, Por trás dos ermos túmulos, um dia, Eu fui refugiar-me à tu

Morfologia

FCC · 2023

Considere o poema do escritor paraibano Augusto dos Anjos.

 

Como um fantasma que se refugia

Na solidão da natureza morta,

Por trás dos ermos túmulos, um dia,

Eu fui refugiar-me à tua porta!

 

Fazia frio e o frio que fazia

Não era esse que a carne nos conforta...

Cortava assim como em carniçaria1

O aço das facas incisivas corta!

 

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!

E eu saí, como quem tudo repele,

– Velho caixão a carregar destroços –

 

Levando apenas na tumbal carcaça

O pergaminho singular da pele

E o chocalho fatídico dos ossos!

 

(ANJOS, Augusto dos. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011)

 

1 carniçaria: açougue.

 

Verifica-se rima (ou seja, coincidência final de sons) entre palavras de mesma classe gramatical em:

  1. repele/pele (3a/4a estrofes).
  2. refugia/dia (1a estrofe).
  3. morta/porta (1a estrofe).
  4. fazia/carniçaria (2a estrofe).
  5. conforta/corta (2a estrofe).
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

conforta / corta (2ª estrofe) formam a rima apontada pela questão.

Ambas as palavras pertencem à classe do verbo, conjugadas na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo — “a carne nos conforta” e “o aço… corta”.

Do ponto de vista fônico, rimam a partir da vogal tônica até o fim: /orta/ em ambos os vocábulos. Essa coincidência da sílaba tônica e da terminação configura uma rima perfeita (coincidência total dos sons finais a partir da sílaba tônica).

No plano poético, a rima entre verbos em presente confere unidade rítmica e intensidade à imagem: ações contemporâneas e contundentes (“conforta” versus “corta”) reforçam o efeito dramático do verso.

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