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Questão FC337583

Infelizmente era justamente esse elemento que ameaçava atrapalhar meu programa. Mas lá pelas 7h, convencido de que o aguaceiro tinha se tomado apenas uma garoa, caminhei até a gran

Semântica

FCC · 2023

Para responder a questão, leia o texto abaixo.

 

Ouvi chuva durante toda a noite. Acordei antes do despertador tocar ás 5h15, tamanha minha expectativa para conferir um dos maiores espetáculos naturais do mundo. Falo de uma lacuna no meu currículo de viajante: as cataratas do Iguaçu. Assim como Fernando de Noronha, as famosas quedas d'água são uma atração que eu ainda não havia visitado.

 

Claro que a justificativa para isso nunca foi a falta de interesse, mas de oportunidade.

 

Na última segunda-feira, porém, eu estava otimista. Tinha uma premiação que eu iria conduzir à noite no próprio hotel do parque. E eu tinha a manhã de terça livre para me encantar com a força daquelas águas.

 

Infelizmente era justamente esse elemento que ameaçava atrapalhar meu programa. Mas lá pelas 7h, convencido de que o aguaceiro tinha se tomado apenas uma garoa, caminhei até a grande queda, o som estrondoso de milhões de metros cúbicos despencando por segundo silenciando as batidas ansiosas do meu coração e até mesmo os distantes trovões. Quando cheguei o mais próximo que podia, tive um baque. Sozinho na área, eu tinha toda a chance de me conectar com aquela maravilha, mas me perguntei: era isso mesmo que eu esperava encontrar?

 

As cataratas do Iguaçu, assim como vários outros pontos turísticos fortes pelo mundo, nos trazem um incômodo do qual só me dei conta então: estamos tão acostumados a ver imagens deslumbrantes deles que quando estamos lá, cara a cara com a atração, parece que ela não tem mais nenhum encanto a nos oferecer. Ou tem? Chamei esse fenômeno de anestesia turística".

 

No scroll infinito de imagens hoje nas nossas telas, que impacto essas atrações ainda são capazes de nos provocar? Nenhum, pensei rápido. Pelo menos se seu único objetivo diante delas é tirar uma selfie.

 

Ir pessoalmente a um lugar desses é muito mais do que fazer um registro para o lnstagram. Fiz o meu, sim, não tenha dúvidas. Mas logo em seguida mergulhei naquilo que meus olhos estavam devorando.

 

Com eles eu não apenas enxergava, mas também ouvia, degustava e sentia quase o toque poderoso do fluido em movimento na minha pele. Quando fechei as pálpebras, todos esses sentidos, inclusive o da visão, ficaram mais fortes. Pronto: eu estava livre daquele estado anestésico. A chuva já havia voltado com força e eu nem tinha percebido. Olhei em volta e continuava sozinho. No entanto, estava pleno.

 

(Adaptado de: CAMARGO, Zeca Disponível em: www1.folha.uol.com.br)

 

A palavra empregada em sentido conotativo, no contexto em que se encontra, está sublinhada em:

  1. as famosas quedas d'água são uma atração que eu ainda não havia visitado.
  2. No scroll infinito de imagens hoje nas nossas telas, que impacto essas atrações ainda são capazes de nos provocar?
  3. Quando cheguei o mais próximo que podia, tive um baque.
  4. Quando fechei as pálpebras, todos esses sentidos, inclusive o da visão, ficaram mais fortes.
  5. E eu tinha a manhã de terça livre para me encantar com a força daquelas águas.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

No trecho "Quando cheguei o mais próximo que podia, tive um baque.", a palavra baque aparece em sentido conotativo.

Literalmente, baque refere‑se a um impacto físico ou queda; aqui, porém, o autor descreve uma reação interna — surpresa mista a decepção — ao constatar que a visão das cataratas não correspondia à expectativa criada pelas imagens.

O contexto proíbe a leitura literal: o narrador não caiu nem sofreu choque corporal; o termo traduz um sentimento, portanto há transferência de significado (figura de linguagem).

Substituindo por sinônimos contextuais comprovamos o uso conotativo: "tive um choque" / "tive uma decepção" mantém o sentido pretendido pelo autor.

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