Questão FC337589
Temos que acreditar Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença? Esta é uma pergunta central na dicotomia entre ciência e fé. De fato, o modo como um indivíduo escol
Semântica
FCC · 2024
Temos que acreditar
Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença? Esta é uma pergunta central na dicotomia entre ciência e fé. De fato, o modo como um indivíduo escolhe responder a ela determina, em grande parte, como se relaciona com o mundo e a vida em geral. Contrastando as explicações míticas e científicas da realidade, podemos dizer que muitos religiosos buscam explicar o desconhecido com o desconhecível, enquanto a ciência busca explicar o desconhecido com o conhecível.
Muito da tensão entre ciência e fé vem da suposição de que existem duas realidades mutuamente incompatíveis, uma dentro deste mundo (e, portanto, “conhecível” através da aplicação diligente do método científico) e outro fora dele (e. portanto, “desconhecível”, relacionada tradicionalmente à crença religiosa).
Mitos religiosos permitem que os que neles creem transcendam sua “situação histórica”, a perplexidade que sentimos ao compreendermos que somos criaturas delimitadas pelo tempo, cada um com uma história que tem um começo e um fim. Em um nível mais pragmático, explicações míticas de fenômenos naturais são tentativas pré-científicas de dar sentido àquilo que existe além do controle humano. A motivação por trás dessas explicações não é tão diferente daquela da ciência, já que ambas tentam de alguma forma revelar mecanismos por trás dos fenômenos naturais: afinal, tanto deuses quanto forças físicas fazem coisas acontecer, mesmo que de formas radicalmente distintas.
Tanto o cientista quanto o crente acreditam em causas não compreendidas, ou seja, em coisas que ocorrem por razões desconhecidas, mesmo que a natureza da causa seja completamente diferente para cada um.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. À Ilha do conhecimento. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 31-32)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
- explicações míticas de fenômenos = suposições sensíveis de ocorrências
- a motivação por trás dessas explicações = a causa oculta dessas elucidações
- uma pergunta central na dicotomia = um mistério essencial na relativização
- aplicação diligente do método = administração implícita da prática
- Em um nível mais pragmático = com um teor mais concebível
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Gabarito
B
Comentário do professor
A equivalência proposta explora relações semânticas diretas entre os termos. Aqui, motivação funciona como sinônimo de causa: ambos apontam para o motivo ou razão que sustenta algo.
A locução por trás indica uma origem não aparente, algo subjacente; por isso, traduzi‑la por oculta conserva a ideia de um motivo escondido ou implícito.
Quanto a explicações e elucidações, tratam‑se de classes lexicais próximas: ambos significam tentativas de tornar claro um fenômeno, sendo elucidação uma opção de registro mais formal, adequada ao texto.
Assim, “a causa oculta dessas elucidações” preserva fielmente o sentido original: refere‑se ao motivo profundo e não aparente que impulsiona as explicações míticas, mantendo o nível de linguagem e a nuance do contexto.
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