Questão FC337595
No — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é irrelevante?
Semântica
FCC · 2024
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
Um diálogo instrutivo
Muitos entusiastas da Inteligência Artificial (IA) continuam a insistir na venda da utopia de que as máquinas digitais não só serão capazes de simular a inteligência humana como, eventualmente, poderão superar a todos nós no nosso próprio jogo, o jogo de pensar, se comportar e viver como seres humanos. Costumo, nas minhas aulas, utilizar um diálogo hipotético entre um neurocientista (N) é um pesquisador da área de inteligência artificial (PIA) para ilustrar o abismo que separa aqueles que, como eu, acreditam ser bem-vindo o uso da tecnologia para promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas e aqueles que trabalham apenas com o objetivo de concretizar uma distopia. Eis aqui um momento desse diálogo:
N — Como você programaria o conceito de beleza em uma máquina da IA?
PIA — Defina um conceito de beleza para mim e eu posso programá-lo.
N - Esse é o problema central. Eu não posso definir beleza — você também não pode, tampouco outro ser humano que jamais viveu e experimentou a sensação de deparar-se com a beleza.
PIA — Se você não pode defini-la de forma precisa, não posso programá-la, ela simplesmente não interessa. Ela não existe. E, como cientista computacional, não me importo com ela.
N — A sua mãe ou sua filha são bonitas?
PIA — Sim, elas são.
No — E você pode definir por quê?
PlA — Não, eu não posso. Não posso programar a minha experiência subjetiva e pessoal no meu computador. Portanto, ela não existe nem significa nada do ponto de vista científico.
No — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é irrelevante?
PIA — Basicamente, sim! Você entendeu o meu ponto de vista.
Assustador como esse diálogo pode soar, quando milhões de pessoas vivendo nestes tempos modernos já decidiram que qualquer coisa que uma máquina não possa fazer é irrelevante para a humanidade.
(Adaptado de NICOLELIS, Miguel. O verdadeiro criador de tudo. São Paulo: Planeta, 2020, p. 1563-164)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente um segmento do primeiro parágrafo do texto em:
- acreditam ser bem-vindo o uso da tecnologia = supõem a retificação usual da técnica
- como objetivo de concretizar uma distopia = visando materializar a negação de uma utopia
- insistir na venda da utopia = instar um sonho a negar-se
- utilizar um diálogo hipotético = instrumentalizar um embate coloquial
- para ilustrar o abismo que separa = para figurar a ponte irrelevante
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Gabarito
B
Comentário do professor
A equivalência entre as expressões é direta: "como objetivo de" corresponde a "visando" — ambas indicam intenção ou finalidade.
Os verbos "concretizar" e "materializar" são sinônimos práticos: ambos significam tornar algo abstrato em realidade palpável, mantendo o mesmo valor semântico no contexto.
Além disso, "distopia" pode ser definida como a antiutopia, ou seja, a negação de uma utopia: um cenário futuro caracterizado por opressão e condições indesejáveis. Assim, "concretizar uma distopia" equivale a "materializar a negação de uma utopia".
Portanto, a reescrita preserva tanto a intenção quanto o conteúdo semântico do trecho original, sendo uma tradução adequada e fiel ao sentido do texto.
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