Questão FC337597
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Realidade e consciência A questão da consciência está profundamente relacionada com a noçãoC de realidade. Mesmo que outros ani
Semântica
FCC · 2024
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Realidade e consciência
A questão da consciência está profundamente relacionada com a noçãoC de realidade. Mesmo que outros animais tenham algum nível de consciência e interajam ativamente com a realidade física, somos aparentemente a única espécie terrestre que tem autoconsciência e uma capacidade cognitiva suficientemente complexa paraD contemplar a natureza da consciência, mesmo se continuamos sem entendê-la. Em outras palavras, somos a única espécie capaz de refletir sobre a própria existência.
Existimos em um mundo que acreditamos ser real. Por “real” quero dizer um mundo que não é fabricação das nossas mentes, que tem uma existência que independe da nossa percepção. Essa crença vem da integração de estímulos oriundos “lá fora”E, no mundo externo, levados ao mundo interior e lá interpretados, o mundo da nossa consciência. Com isso, vou contra a posição do idealista radical que acredita que apenas a mente existe e que a realidade "lá fora” é uma ilusão (doutrina chamada de solipsismo). A realidade "lá fora” existe, mesmo que sua natureza dependa de como a percebamos “aqui dentro”.
A dor que sentimos ao chutar uma pedra (a pedra está no caminho mesmo que a experiência da dor seja única para cada indivíduo) ou os bilhões de anos de história cósmica sem a existência de mentes (a inteligência, nossa ou qualquer outra, demora um tempo para evoluir) são, para mim, evidências suficientes de que o mundo existe independentemente da nossa presença.
Não há dúvida de que podem existir diferenças em como percebemos o mundo lá fora; alucinações são um excelente exemplo de como a nossa percepção da realidade pode ser distorcidaA. Mas parece claro que existe algo, uma realidade em que funcionamos, e que nossos cérebros percebem em parte através dos nossos órgãos sensoriaisB, nossas antenas para a realidade.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. Rio de Janeiro: Record, 1923, p. 315-316)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
- nossa percepção da realidade pode ser distorcida (4º parágrafo) = nosso intuito de representação pode avariar-nos
- em parte através dos nossos órgãos sensoriais (4º parágrafo) = parcialmente por conta dos atributos orgânicos
- profundamente relacionada com a noção (1º parágrafo) = supostamente articulada à ideia
- capacidade cognitiva suficientemente complexa para (1º parágrafo) = faculdade mental sofisticada o bastante para
- integração de estímulos oriundos “lá fora" (2º parágrafo) = recomposição de energias dispersas no exterior
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Gabarito
D
Comentário do professor
Capacidade cognitiva corresponde semanticamente a faculdade mental: ambos indicam a habilidade de processar informações, raciocinar e formar representações internas.
Suficientemente complexa e sofisticada o bastante são equivalentes no grau de desenvolvimento requerido; expressam a ideia de complexidade adequada para desempenhar uma função específica.
O uso de para aponta finalidade ou aptidão — isto é, indica que essa faculdade existe com a função de permitir determinada ação.
Assim, a equivalência proposta preserva os sentidos léxico e pragmático do trecho original: sublinha que apenas um nível avançado de funcionamento mental torna possível a contemplação da própria consciência.
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