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Questão FC337613

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Poesia e ciência É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enq

Semântica

FCC · 2024

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Poesia e ciência

 

É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão científica prevalecente na época.

 

Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente 96 e 55 a.C. Em um mundo completamente dominado por religiões politeístas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência caga à autoridade. O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:

 

“Quando a vida humana, arrastando-se pela Terrab e, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhosa c mortais contra esses tormentosd [...] Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e, desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.

 

Dais mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, poeta da ciência e da lucidez apaixonada.

 

* Este texto foi publicado em 1988.

 

(Adaptado de GLEISER, Marcela. Retalhos cósmicos. São Paulo. Companhia das Letras, 1999, p. 21-22)

 

Nas palavras de Lucrécio , que constituem 3º parágrafo do texto, há uma oposição de sentido entre os segmentos

  1. alçou bravamente seus olhos// um homem grego
  2. arrastando-se pela Terra // esmagada pelas crendices
  3. alçou bravamente seus olhos // Sua força era a mente
  4. contra esses tormentos // As crendices, assim, foram controladas
  5. arrastando-se pela Terra // podemos alcançar as estrelas
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Arrastando-se pela Terra // podemos alcançar as estrelas estabelece claramente uma oposição de sentido entre dois planos: o baixo, restrito e terreno, e o alto, aberto e aspiracional.

No nível literal, há uma oposição de verticalidade: Terra remete ao chão, ao limite; estrelas remetem ao céu, ao alcance além do imediato.

No plano figurado, a primeira expressão descreve uma condição humana empobrecida ou subjugada; a segunda anuncia libertação, progresso e ampliação de horizontes — fruto da razão.

Essa articulação funciona como antítese: o contraste reforça a ideia central do texto de que a mente/razão eleva o homem das crendices para conquistas maiores.

Por isso, a alternativa é correta: apresenta a oposição semântica que resume a mensagem do trecho.

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