Questão FC337616
Para responder a questão, considere o texto abaixo. Blefes Ninguém conhece a alma humana melhor do que um jogador de pôquer. A sua e a do próximo. Numa mesa de pôquer o homem chega
Semântica
FCC · 2023
Para responder a questão, considere o texto abaixo.
Blefes
Ninguém conhece a alma humana melhor do que um jogador de pôquer. A sua e a do próximo. Numa mesa de pôquer o homem chega ao pior e ao melhor de si mesmo, e vai da euforia ao ódio numa rodada. Mas sempre como se nada estivesse acontecendo. Os americanos falam do poker face, a cara de quem consegue apostar tendo uma boa carta ou nada na mão com a mesma impassividade, embora a lava esteja turbilhonando lá dentro. Porque sabe que está rodeado de fingidos, o jogador de pôquer deve tentar distinguir quem tem jogo de quem não tem e está blefando por um tremor na pálpebra, por um tique na orelha. Ou ultrapassando a fachada e mergulhando na alma do outro.
Não se trata de adivinhar seu caráter. Não é uma questão de caráter. O blefe é um lance tão legitimo quanto qualquer outro no pôquer. Os puros são até melhores blefadores, pois só quem não tem culpa pode sustentar um poker face perfeito sob o escrutínio hostil da mesa. Há quem diga que ganhar com um blefe supera ganhar com boas cartas e que é no blefe que o pôquer deixa de ser um jogo de azar, e portanto de acaso, e se torna um jogo de talento. Já fora do pôquer o blefe perde sua respeitabilidade. É apenas sinônimo de engodo. Geralmente aplicado a pessoas que não eram o que pareciam ou fingiam ser.
(Adaptado de: VERÍSSIMO, Luis Fernando. As mentiras que os homens contam. São Paulo: Cia das Letras, 2015)
é no blefe que o pôquer deixa de ser um jogo de azar.
O uso do termo “que”, tendo em vista a sua relação com a forma verbal “é”, produz no trecho um efeito de
- negação.
- ambiguidade.
- contraste.
- realce.
- ironia.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Realce: na frase "é no blefe que o pôquer deixa de ser um jogo de azar", a locução é que funciona como termo expletivo usado para dar ênfase ao sintagma destacando o momento decisivo — o blefe.
Sintaticamente, esse elemento é dispensável: a oração conserva sentido se suprimido ("no blefe o pôquer deixa de ser um jogo de azar"), o que confirma sua natureza expletiva. Porém, pragmáticamente, cumpre a função comunicativa de realçar a informação que o autor quer sublinhar, orientando a atenção do leitor para o trecho destacado.
Portanto, a escolha da alternativa que indica realce é a correta, pois captura tanto a supressibilidade formal quanto a força de destaque introduzida por é que.
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