Questão FC337619
Devaneio, logo existo As três pessoas que estavam comigo no elevador se recusavam a devanear. Assim como as pessoas do vagão do metrô. Foram duas rápidas observações que me levaram
Sintaxe
FCC · 2024
Devaneio, logo existo
As três pessoas que estavam comigo no elevador se recusavam a devanear. Assim como as pessoas do vagão do metrô. Foram duas rápidas observações que me levaram a respirar aliviado por ter percebido que ainda preservava a autoindulgência tanto do devaneio quanto da inspeção de atitudes alheias. A critica de "ninguém mais conversa; todo mundo anda e até come com a fuça no celular" nunca me convenceu, pois se a pessoa não está prejudicando ninguém, que faça o que bem entender. No meu conceito, porém, ela está deixando de existir como indivíduo, pois é no devaneio, na contemplação e na troca que se imprime identidade no mundo.
Explico melhor. E para isso recorro à inteligência artificial generativa, uma evocação à própria base de dados para geração de conteúdos novos, sejam textos, áudios, músicas, Imagens ou vídeos. E o que é essa Jornada se não o próprio caminho do processo criativo, por onde estabelecemos nossa assinatura? Os pensamentos não nascem no vácuo. As descobertas tampouco. lnsights germinam do correlacionamento de memórias, da conexão das diferentes peças no repertório intelectual que fomos colecionando no decorrer da vida. A iluminação é elaborada em nosso devaneio. Só que cada vez menos somos propensos á permissão de experiências tão somente contemplativas. Até o caminhar precisa ser preenchido por fone de ouvido, consumo de noticias, checagem de mensagens de Whatsapp.
Quando dizem que a meditação é um dos pilares de estilo de vida saudável não explicam devidamente sua importância. O próprio René Descartes, inspirador do titulo deste artigo e do cartesianismo, lançou obra chamada Meditações. Também não é explicito o risco do comodismo de entregar tudo o que torna humana a nossa espécie a um dispositivo. Já é sabido desde o século 18, na Revolução Industrial, que as máquinas são superiores em produção. Só que a mecanização não ativa a inteligência nem a razão, que são as ligas da vida e do real progresso dos seres humanos. Ainda no século 17 os filósofos iluministas ensinaram o valor do devaneio na formação de pessoas com melhores decisões morais.
(Adaptado de: PIMENTAL, Luiz Cesar. Revista Isto é, 15/03/2024. Disponível em: https:/ílstoe.com.br)
O elemento sublinhado em Ainda no século 17 os filósofos iluministas ensinaram o valor do devaneio (3º parágrafo) exerce a mesma função sintática daquele sublinhado em:
- E para isso recorro à inteligência artificial generativa (2º parágrafo)
- pois se a pessoa não está prejudicando ninguém (1º parágrafo)
- Só que a mecanização não ativa a Inteligência nem a razão (3º parágrafo)
- As três pessoas que estavam comigo no elevador se recusavam a devanear (1º parágrafo)
- ela está deixando de existir como indivíduo (1º parágrafo)
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Na oração "Só que a mecanização não ativa a inteligência nem a razão", identifique primeiro o verbo: ativa.
Pergunte antes do verbo: o que/quem (não) ativa? Resposta: a mecanização — portanto é o Sujeito Simples da oração. A partícula negativa não apenas nega a ação, não altera a função sintática.
Agora pergunte depois do verbo: ativa o quê? Resposta: a inteligência nem a razão, que constitui o Objeto Direto composto.
Conclusão: o termo sublinhado exerce a função de Sujeito, pois é o elemento sobre o qual recai a ação verbal e que determina a concordância (ativa, 3ª pessoa do singular).
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