Questão FC337648
Tempos, lugares mágicos Sim, já faz tempo, éramos jovem casa/ e estávamos de férias, à toa na vida. Provavelmente aquele nosso cenário mágico de então terá Incorporado novidades: h
Sintaxe
FCC · 2023
Tempos, lugares mágicos
Sim, já faz tempo, éramos jovem casa/ e estávamos de férias, à toa na vida. Provavelmente aquele nosso cenário mágico de então terá Incorporado novidades: haverá lugar Incólume ao tempo? Deixemos oculta a medida comum do tempo e digamos que tudo aconteceu já faz alguns séculos: cada um carrega dentro de si seu singular relógio emocional.
Estávamos os dois na praia de Amaral/na, tomando cerveja num fim de tarde de verão (haverá outras estações em Salvador?). Aquele momento azul bem que podia ser eterno, sentíamos. Passamos a conversar sobre o Tempo. Imaginei então o que seria feito daquele lugar, dali a um mínimo de anos. E especulava, manhoso: ' Existirá talvez o planeta, mas alguma coisa guardará algo do sol desta tarde, destes coqueiros, de nós?'
Você então lembrou que não há eliminação cabal da matéria, há transformações sucessivas. E eu Imaginei que, decorridos milênios, nós dois seriamos duas moléculas avulsas, viajantes do espaço que, de repente, poderiam cruzar seus caminhos vertiginosos exatamente onde milênios antes teria havido uma cidade, uma praia, uma conversa a dois. Então lhe propus um pacto: que essas duas moléculas, ao se cruzarem numa fração de segundo em melo a tantas no caos, se façam notar por um quase Imperceptível código luminoso, uma faísca fulminante, uma piscadela guardada por milênios no coração da matéria cósmica.
Você achou minha imaginação exuberante demais e preferiu olhar em volta, conferir a brisa que batia nas folhas dos coqueiros de Amaral/na. Há lugares assim, neste nosso planeta: excitam a imaginação até o limite do Imponderável, e ao mesmo tempo exercem toda a sua sedução telúrica. Acabamos um chope e andamos um bocado, a tempo de ver o sol desaparecer. Depois, Já avistando o Farol da Barra, passei a Imaginar que aquele farol mágico, daquela terra mágica, assim que escurecesse passaria a acender estrelas altíssimas. Mas você olhava distraída para algum ponto da linha do horizonte.
(Jehová de Brito, a publicar)
O tempo passa implacavelmente, enquanto pretendemos que deveria caber ao tempo preservar os objetos do nosso afeto, e depois imputamos ao tempo a responsabilidade de corroer os objetos do nosso afeto de modo impiedoso.
Evitam-se as repetições viciosas do período acima substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
- deveria cabê-lo - o Imputamos - corroer-lhes
- lhe deveria caber - imputamo-lo - lhes corroer
- o deveria caber - lhe imputamos - corroê-los
- deveria caber a ele - o Imputamos - os corroer
- deveria caber-lhe - lhe imputamos - corroê-los
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
As três substituições obedecem à regência e à transitividade dos verbos.
1. Para o verbo caber o complemento vem introduzido por a (caber a alguém). Como se trata de objeto indireto de terceira pessoa, o pronome oblíquo adequado é lhe. Na forma composta com verbo modal, o pronome aparece em enclise ao infinitivo: deveria caber‑lhe (ou lhe deveria caber).
2. O verbo imputar admite objeto indireto: imputar algo a alguém. Aqui "ao tempo" vira pronome oblíquo indireto lhe. A colocação pronominal obedece à próclise em presença de advérbio: depois lhe imputamos (registrado no gabarito como lhe imputamos).
3. Corroer é transitivo direto; "os objetos" exige pronome átono de objeto direto os, que se coloca em enclise ao infinitivo: corroê‑los (observe o acento exigido pela nova posição silábica). Não se usa lhe para objeto direto.
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