Questão FC337664
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. [Vida a compartilhar] Um jovem amigo meu é uma pessoa exasperada e deprimida. Na semana passada, ele foi atraído por uma histór
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
FCC · 2024
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
[Vida a compartilhar]
Um jovem amigo meu é uma pessoa exasperada e deprimida. Na semana passada, ele foi atraído por uma história edificante. Uma escola americana dedicara um anfiteatro a uma professora de escola fundamental que, depois de uma longa carreira de ensino, foi paralisada por uma distrofia muscular, e seguiu ensinando. Quando perdeu a voz, passou a ensinar surdos-mudos. Na reportagem, ela estranhava a atenção e os elogios: era uma mulher em paz consigo mesma e com o mundo, sem furores caritativos ou vocações martirológicas. Sua vida parecia simplesmente normal.
Meu jovem amigo comentou que, se estivesse no lugar dela, já teria acabado com sua própria vida. Essa ideia, concordei, passaria por qualquer cabeça. Mas por que a professora não foi por esse caminho? O insuportável numa doença como essa, afirmou então meu interlocutor, são os limites, as impotências.
Observei-lhe então que há uma infinidade de coisas que não conseguimos fazer. Afinal, não sei voar, nem ficar por respirar mais que dois minutos. Com paciência condescendente, meu amigo explicou que essas são coisas que ninguém, ou quase ninguém, consegue fazer. O que dói, acrescentou, é não conseguir fazer as coisas que os outros conseguem. E declarou que, se tivesse uma invalidez grave, talvez pudesse seguir vivendo, mas só entre pessoas tão inválidas quanto ele. Conclusão da conversa: o problema não é a invalidez, o problema são os outros. Melhor dizendo, a necessidade de se comparar aos outros.
De todo modo, ficamos sem apurar que tipo de energia animava aquela prejudicada professora, excepcionalmente apta e disposta a só compartilhar o que tinha de positivo.
(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 70-71)
É plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:
- Ao compartilhar o que tinha de positivo, a professora, com seus atos de abnegação, muito surpreendeu a quem os reconhecera.
- Ele era apesar de jovem, pessoa exasperada e deprimida, capaz de em muitos casos, chegar a pensar em suicídio.
- Há quem estranhe aliás compreensivelmente, que algumas raras pessoas se disponham por vezes, a altos sacrifícios.
- De fato a professora mostrou-se virtuosa, incapaz que era, de afetar misericórdia gratuita, ou mesmo tendência para autoflagelar-se.
- Não deixa de ser curiosa, a conclusão a que chegou o autor, quando viu permanecer como enigma, o caso daquela professora.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A frase inicia com Ao compartilhar o que tinha de positivo, que funciona como oração subordinada adverbial reduzida de infinitivo (circunstância temporal/modo). Quando esse adjunto vem antes do sujeito, ele deve ser separado da oração principal por vírgula, explicando a pausa sintática correta.
Em seguida, com seus atos de abnegação é um adjunto adverbial intercalado (circunstância de modo) e, por estar inserido entre sujeito e predicado, precisa ser isolado por vírgulas antes e depois; assim evita-se a separação indevida entre sujeito e verbo.
Por fim, a sequência "muito surpreendeu a quem os reconhecera" mantém a relação verbo–complemento intacta, sem vírgulas dispersivas. Portanto, a pontuação usada assegura clareza e respeito às proibições sintáticas sobre separar termos essenciais.
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