Questão FC337670
A igualdade seria o apagamento do indivíduo ou a celebração do indivíduo? Numa sociedade, por exemplo, em que os mais poderosos são tratados como divindades e tomam as decisões mai
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
FCC · 2023
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
[Acerca da “Igualdade”]
“Liberdade, Igualdade, Fraternidade” foi o grito de guerra da Revolução Francesa. Hoje há disciplinas inteiras − ramos da filosofia, da ciência política e dos estudos jurídicos − que têm a “igualdade” como tema central de estudos. Todos concordam que a igualdade é um valor; ninguém parece concordar quanto ao que se refere o termo. Igualdade de oportunidades? Igualdade de condições? Igualdade formal perante a lei?
Estaremos falando de uma ideologia, a crença de que todos na sociedade deveriam ser iguais − claro que não em todos os aspectos, mas nos mais importantes? Ou será uma sociedade em que as pessoas são efetivamente iguais? O que isso significaria de fato, na prática, em ambos os casos? Que todos os membros da sociedade têm igual acesso à terra, ou tratam uns aos outros com igual dignidade, ou são igualmente livres para expor suas opiniões em assembleias públicas?
A igualdade seria o apagamento do indivíduo ou a celebração do indivíduo? Numa sociedade, por exemplo, em que os mais poderosos são tratados como divindades e tomam as decisões mais importantes, é possível falar em igualdade? E as relações de gênero? Muitas sociedades tratadas como “igualitárias” na verdade têm seu igualitarismo restrito aos homens adultos. Em casos assim, podemos falar em igualdade de gêneros?
Como não existe nenhuma resposta clara e consensual a questões desse tipo, o uso do termo “igualitário” tem levado a discussões infindáveis. Para alguns teóricos do século XVII, a igualdade se manifestava no estado da Natureza. Igualdade, pois, seria um termo definido por omissão: identificaria uma humanidade que pudesse estar livre depois de removidas todas as armadilhas da civilização. Povos “igualitários” seriam, pois, aqueles sem príncipes, sem juízes, sem inspetores, sem sacerdotes, possivelmente sem cidades, sem escrita ou sequer agricultura. Seriam sociedades de iguais apenas no sentido estrito de que estariam ausentes todos os sinais mais evidentes de desigualdade.
Não há dúvida, pensando-se sempre no ideal de “igualdade”, de que algo deu muito errado no mundo. Uma ínfima parte da população controla o destino de quase todos os outros, e de uma maneira cada vez mais desastrosa.
(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo − Uma nova história da humanidade. Trad. Denise Bottmann e Claudio Marcondes. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 91 a 94, passim)
É plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:
- Diga-me, então: se você acha de fato pertinente esse quadro de definições, do termo “igualdade”.
- Eu desejaria saber qual a dificuldade, que se apresenta, desde sempre para se definir o que é igualdade?
- Sem dúvida não há consenso: devido ao fato de um conceito como este ser, dúbio já na raiz.
- Há ainda os que esperam, apesar de tudo, que um dia se estabeleça, como prática real, um efetivo igualitarismo.
- O conceito de igualitarismo, desde sempre vacilante aguarda, que sua prática, enfim venha a se dar, entre os que nele confiam.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A frase está correta porque a pontuação isola adequadamente elementos parentéticos sem prejudicar a estrutura sintática.
O segmento inicial Há ainda os que esperam constitui a oração principal; a sequência que um dia se estabeleça um efetivo igualitarismo é uma oração subordinada substantiva que funciona como objeto direto, e não deve ser separada do verbo por vírgulas.
As expressões apesar de tudo e como prática real exercem função de adjunto adverbial intercalado (elementos parentéticos). Por isso, ficam corretamente entre vírgulas: isolam informação acessória sem interromper a relação sintática entre sujeito, verbo e complemento.
Assim, a pontuação preserva a clareza e respeita a regra de não separar sujeito do verbo nem o verbo de seu complemento.
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