Questão FC337694
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. [Laços de sangue na literatura] Laços de sangue não garantem parentesco espiritual, é sabido; irmãos podem ser e frequentemente
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FCC · 2024
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
[Laços de sangue na literatura]
Laços de sangue não garantem parentesco espiritual, é sabido; irmãos podem ser e frequentemente são tão diferentes entre si quanto são de completos estranhos, ainda que a ascendência comum e a convivência na infância e juventude determinem relações de grande afeto.
Por outro lado, é fascinante que se possa conhecer na literatura criaturas tão parecidas com a gente mesma. Minha primeira experiência desse tipo deu-se quando conheci Paulo Honório, o coronel assassino, protagonista e narrador do romance São Bernardo, de Graciliano Ramos. Identifiquei-me de pronto com essa criatura e desenvolvi por ela o que por mim mesma era uma mistura de repulsa e forte autocomiseração. Mais tarde, quando li Infância e Memórias do Cárcere, textos autobiográficos do mesmo autor, concluí que eu e Paulo Honório tínhamos um terceiro irmão bastante afinado: o criador mesmo, Graciliano.
Mas das minhas experiências de conhecer irmãos pela literatura, nada se comparou até agora à que tive quando li, muito recentemente, As pequenas virtudes da escritora italiana Natália Ginzburg (1916-1991). Deu-me vontade de sair mostrando às pessoas na rua: "olha só, podia ser minha avó, viveu e morreu do outro lado do mundo, mas é minha irmã, verdadeiramente minha irmã, e de algum ponto do universo segue falando comigo".
(Adaptado de: LOPES, Ayde Veiga. Disponível em: https://ninhodealveloas.blogspot.comlsearch/label/cidadela)
É adequado o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase:
- A escritora Natália Ginzburg escreveu um livro cuja a força impressionou demais a uma cronista que a opinião dela manifestou num texto.
- As amizades a que nos dedicamos com intensidade podem ser superiores aos afetos provenientes dos laços de sangue.
- Há personagens literárias de cujo fascínio nos prendem mais do que os laços que mantemos aos nossos familiares.
- Graciliano Ramos vale-se de narradores de que o caráter corrompido não impede que os dediquemos alguma simpatia.
- Os textos autobiográficos onde sua construção esse autor tanto se esmerou renderam-lhe todo o reconhecimento do qual fez jus.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A frase está correta porque os dois elementos sublinhados respeitam a regência exigida pelos vocábulos que os acompanham.
O verbo dedicar rege complemento introduzido pela preposição a. Quando esse complemento é retomado por pronome relativo, a preposição permanece: por isso usa‑se a que (ou seja, "a que nos dedicamos").
Por sua vez, o adjetivo provenientes exige a preposição de para indicar origem. O substantivo seguinte está no plural e definido (os laços), daí a contração dos resultado de de + os: "provenientes dos laços de sangue".
Em conjunto, ambos os usos são gramaticalmente adequados: As amizades a que nos dedicamos com intensidade podem ser superiores aos afetos provenientes dos laços de sangue.
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