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Questão FC337701

Atenção: Para responder às questão, baseie-se no texto abaixo. [Rubem Braga, cronista maior] Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas hi

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FCC · 2023

Atenção: Para responder às questão, baseie-se no texto abaixo.

[Rubem Braga, cronista maior]

 

Desde que surgiu para a literatura na década de 30, Rubem Braga nos encanta com suas histórias. Ao longo dos anos. em meio às atribulações do dia a dia, o leitor brasileiro se habituou a esperar, em certos jornais e revistas, os dois dedos de prosa com que o “velho Braga” o prendia inapelavelmente. O assunto podia ser escasso ou faltar mas o encantamento se fada assim mesmo. De repente, naquela linguagem volátil. O leitor se encontrava ferra a ferra com a poesia do cotidiano.

 

Sem dúvida, tratava-se de um cronista, de um narrador e comentarista dos fatos corriqueiros de lodo dia, mas algo ali transfigurava a crônica, dando-lhe uma consistência literária que ela jamais tivera. Era um escritor diferente, pois havia escolhido um espaço diverso de criação: o espaço dominado pela informação jornalística. E, novo paradoxo, parecia discrepar naquele meio moderno da informação, como se o que trazia para expressar fosse inteiramente incompatível com o jornal.

 

É que aquele cronista trazia algo escasso nos tempos atuais: a sua própria experiência. Uma experiência particular, densa e complexa, inusitada para o tempo e o lugar, mas capaz de se transmitir a muitos que nela se reconheciam, permeáveis ao que havia ali de comum solidário. Uma experiência que se transmitia por histórias, pela arte do narrador, que parecia vir de outros tempos e retomar o fio da tradição oral, tão importante no Brasil.

 

Desde o principio, deve ter sido difícil definir com precisão o que eram aquelas crônicas. Pareciam esconder muita complexidade sob a capa límpida da naturalidade. Disfarçavam a arte da escrita numa prosa divagadora de quem conversa sem rumo certo, distraído com o balanço da rede, passando o tempo, como que para se livrar do ócio ou do tédio. E, no entanto, sra uma prosa cheia de achados de linguagem, um vocabulário escolhido a dedo para o lugar certo. Eram frases em geral curtas, com preferência pelas orações coordenadas. sem temer, porém curvas e enlaces dos períodos mais longos e complicados. Uma sintaxe, enfim. leve e flexível, próxima da linguagem coloquial.

 

Num mundo como o nosso, já bastante automatizado, onde tudo pode virar mercadoria e em si nada valer, o velho Braga, em meio ás coisas mais efêmeras, não apenas nos dá a impressão súbita do momento fugitivo de uma alta beleza presente no cotidiano, mas também a dignidade e a poesia do perecível, quando tocada por um dedo humano.

 

(Adaptado de: ARRIGUCCI JR, Dam, “Braga

de novo por aqui. in: BRAGA, Rubem, Os melhores contos. São Paulo: Global, 1877)

 

Está plenamente adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:

  1. A tradição dos relatos orais, na qual o velho Braga não desconhecia, representava-se em suas crônicas.
  2. O processo de coordenação a que o cronista recorria costumeiramente era uma das marcas de seu estilo.
  3. As crônicas de Rubem Braga das quais todos esperavam com ansiedade, eram simples e densas.
  4. A impressão por cuja somos tomados, quando lemos o velho Braga, é a de que se trata de um mágico
  5. A experiência pessoal não costuma ser uma fonte aonde os escritores costumam se valer o tempo lado.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A frase está correta porque o verbo recorrer rege a preposição "a". Trata‑se de um verbo transitivo indireto, isto é, exige complemento introduzido por a.

Na oração relativa, esse requisito de regência mantém‑se: a preposição precisa anteceder o pronome relativo. Por isso aparece a que, retomando o antecedente "o processo de coordenação".

Gramaticalmente, "que" funciona como pronome relativo e recebe a preposição exigida pelo verbo da oração principal. A construção conserva a concordância em gênero e número com "processo" (masculino, singular).

Em suma: a presença da preposição é obrigatória por causa da regência verbal, e a sequência "a que" é a forma adequada para introduzir a oração subordinada relativa.

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