Questão FC337709
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. [Respirar, conhecer] Quando as pessoas fazem as grandes perguntas da vida, normalmente não tem interesse em saber quando a resp
Concordância (Verbal e Nominal)
FCC · 2025
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
[Respirar, conhecer]
Quando as pessoas fazem as grandes perguntas da vida, normalmente não tem interesse em saber quando a respiração está penetrando em suas narinas e quando está saindo. E, sim, querem saber coisas como o que acontece depois que se morre. Mas o real enigma da vida não é o que acontece depois que se morre, e sim o que acontece antes de morrer. Se vocé quer compreender a morte, precisa compreender a vida.
As pessoas perguntam: "Quando eu morrer, simplesmente desapareço por completo? Irei para o céu? Renascerei num novo corpo?". Essas perguntas fundamentam-se na suposição de que existe um eu que perdura do nascimento até a morte, e a pergunta é: "O que acontece com este eu na morte?". Mas o que é que perdura do nascimento até a morte? O corpo muda a cada momento, o cérebro muda a cada momento, a mente muda a cada momento. Quanto mais de perto vocé se observa, mais óbvio fica que nada perdura, mesmo que de um momento para o momento seguinte. Então o que dá unidade à vida? Se você não sabe qual é a resposta para isso, não compreende a vida, e certamente não compreende a morte. Se e quando você alguma vez descobrir o que dá unidade á vida, a resposta à grande questão da morte também ficará aparente.
As pessoas dizem: "A alma perdura do nascimento até a morte e portanto dá unidade á vida" - mas Isso é só uma narrativa.
Você alguma vez Já observou uma alma? Vocé é capaz de explorar Isso a qualquer momento, não só no momento da morte. Se for capaz de compreender o que acontece com você quando um momento termina e outro começa - você também compreenderá o que vai acontecer com você no momento da morte. Se for realmente capaz de observar a si mesmo na duração de uma única respiação - você vai compreender tudo isso.
(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. São Paulo:
Companhia das Letras. tradução de Paulo Geiger. 2018. p. 380-381)
As normas de concordância verbal estão plenamente atendidas na frase:
- Destacam-se entre as características do tempo vivido a ruptura que fraciona os momentos.
- Atribui-se a narrativas equivocadas uma verdade que passa a ser consagrada entre os incautos.
- Não haveriam em nós impulsos para que viesse a se esclarecer os mistérios da vida.
- Costumam-se crer que os fatos relativos à morte são mais obscuros que os que à vida afeta.
- Se aos momentos coubessem perdurar sem qualquer ruptura, perfaria os anos uma linha contínua.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A frase "Atribui-se a narrativas equivocadas uma verdade..." emprega a voz passiva sintética com a partícula apassivadora -se. Nesse tipo de construção, o termo que vem após o verbo funciona como sujeito da oração.
Portanto, o núcleo desse sujeito é verdade (singular). Por isso o verbo aparece na terceira pessoa do singular ("atribui-se"), concordando com "uma verdade".
Na continuação, a oração subordinada relativa "que passa a ser consagrada entre os incautos" também concorda com o mesmo sujeito ("verdade"), justificando o uso de "passa" no singular. Assim, a frase respeita as normas de concordância verbal.
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