Questão FC337715
Temos que acreditar Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença? Esta é uma pergunta central na dicotomia entre ciência e fé. De fato, o modo como um indivíduo escol
Concordância (Verbal e Nominal)
FCC · 2024
Temos que acreditar
Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença? Esta é uma pergunta central na dicotomia entre ciência e fé. De fato, o modo como um indivíduo escolhe responder a ela determina, em grande parte, como se relaciona com o mundo e a vida em geral. Contrastando as explicações míticas e científicas da realidade, podemos dizer que muitos religiosos buscam explicar o desconhecido com o desconhecível, enquanto a ciência busca explicar o desconhecido com o conhecível.
Muito da tensão entre ciência e fé vem da suposição de que existem duas realidades mutuamente incompatíveis, uma dentro deste mundo (e, portanto, “conhecível” através da aplicação diligente do método científico) e outro fora dele (e. portanto, “desconhecível”, relacionada tradicionalmente à crença religiosa).
Mitos religiosos permitem que os que neles creem transcendam sua “situação histórica”, a perplexidade que sentimos ao compreendermos que somos criaturas delimitadas pelo tempo, cada um com uma história que tem um começo e um fim. Em um nível mais pragmático, explicações míticas de fenômenos naturais são tentativas pré-científicas de dar sentido àquilo que existe além do controle humano. A motivação por irás dessas explicações não é tão diferente daquela da ciência, já que ambas tentam de alguma forma revelar mecanismos por trás dos fenômenos naturais: afinal, tanto deuses quanto forças físicas fazem coisas acontecer, mesmo que de formas radicalmente distintas.
Tanto o cientista quanto o crente acreditam em causas não compreendidas, ou seja, em coisas que ocorrem por razões desconhecidas, mesmo que a natureza da causa seja completamente diferente para cada um.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. À Ilha do conhecimento. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 31-32)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
- É comum que mesmo aos cientistas mais diligentes venham a faltar, em suas pesquisas, o acerto necessário na condução dos seus métodos.
- O aprimoramento dos métodos científicos possibilitam aos pesquisadores alimentar esperanças no sucesso do empreendimento que os inspiram.
- Não resta aos cientistas ou religiosos senão tomarem para si o dever de encontrar respostas a todo e qualquer mistério que os intrigue.
- Não são de se supor que os mistérios que a cada leigo intriga não preocupe também os cientistas mais determinados e os religiosos mais convictos.
- O que mais convêm aos cientistas é apurarem seus métodos de investigação, assim como não podem faltar aos religiosos o apoio da fé.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Na frase, o núcleo do sujeito da oração principal é uma oração: tomarem para si o dever de encontrar respostas.... Trata‑se de uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo, que funciona como sujeito de "resta". Por isso o verbo principal aparece no singular: Não resta... — podemos substituir esse sujeito oracional por "isso" para confirmar a concordância.
O verbo tomarem está no infinitivo pessoal (flexionado no plural) porque seu sujeito implícito é plural ("cientistas ou religiosos"). Essa flexão não altera a necessidade de o verbo da oração principal ficar no singular.
Por fim, a oração relativa "que os intrigue" retoma "mistério" (singular), portanto o verbo "intrigue" corretamente concorda com esse termo; "os" funciona como objeto. Assim, todas as concordâncias estão corretas.
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