Questão FC337716
Ciência: o valor dos limites A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer,
Concordância (Verbal e Nominal)
FCC · 2024
Ciência: o valor dos limites
A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer, precisamos abraçar as incertezas. A existência dos limites não deve ser vista como um obstáculo intransponível. Limites são oportunidades, alavancas que nos ensinam algo sobre o mundo e sobre nós mesmos, que nos incentivam a prosseguir na busca de respostas. Limites expandem as possibilidades de quem podemos ser.
A ciência é muito mais do que conhecimento acumulado do mundo natural. É uma visão de mundo, um estilo de vida, uma aspiração coletiva de crescermos como espécie em um cosmos repleto de mistérios, de medos e encantos. A ciência é o cobertor com que cobrimos os pés à noite, a luz que ligamos no fim do corredor, o mentor paciente que nos lembra do que somos capazes quando trabalhamos juntos. Que a ciência seja usada tanto para o bem como para o mal não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana, a tendência que temos tanto para criar quanto para destruir.
Embora as ciências físicas e sociais sejam capazes de iluminar muitos aspectos do conhecimento, não têm como missão responder a todas as perguntas. Nada diminuiria mais o espírito humano do que restringir nossa criatividade a uma única esquina do conhecimento. Somos criaturas multidimensionais e buscamos respostas de muitas formas. Cada uma tem seus propósitos e precisamos de todas elas.
Aceitar que o conhecimento é incompleto não é uma derrota do intelecto humano, não significa que estamos enquadrando a ciência como uma atividade humana, falível mesmo que poderosa, incompleta mesmo como melhor ferramenta para descrever o mundo. A ciência não reflete uma verdade divina, existente em um domínio platônico de perfeição e beleza. A ciência reflete a inquietude humana, nossa necessidade de ter algum controle sobre o tempo, sobre o misto de veneração e temor que sentimos quando confrontamos a imensidão do cosmos.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. 7.ed. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 325-328, passim)
As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas na frase:
- Para um cientista, a existência de limites não requerem que sejam imediatamente superados, mas reconhecidos com clareza.
- Não advêm da vontade divina os métodos falíveis da ciência, a cujos limites o humano pesquisador deve se mostrar sensível.
- Não se chegam jamais a conhecimentos completos, ainda quando a eles aspiram a metodologia de todas as ciências.
- Os conhecimentos acumulados a que nos fazem chegar a ciência não se representa como uma totalidade.
- Não caberiam aos cientistas resolver os problemas da humanidade, mas apenas detectá-los na exata dimensão que tem.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A frase está correta porque respeita a concordância verbal com sujeito posposto. O verbo advêm aparece antes do sujeito "os métodos falíveis da ciência"; como o sujeito é plural, o verbo deve concordar no plural (forma singular: advém).
A locução "a cujos limites" é adequada: trata‑se da preposição + pronome relativo cujo flexionado para concordar com o substantivo que vem a seguir (limites, plural masculino), formando corretamente a cujos limites.
Por fim, a oração final mantém a concordância interna: o sujeito "o humano pesquisador" é singular, justificando o verbo deve no singular e a construção pronominal "se mostrar sensível" coerente com esse sujeito. Assim, todas as flexões verbais e pronominais estão em acordo com seus sujeitos.
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