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Questão FC337721

No — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é irrelevante?

Concordância (Verbal e Nominal)

FCC · 2024

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Um diálogo instrutivo

 

Muitos entusiastas da Inteligência Artificial (IA) continuam a insistir na venda da utopia de que as máquinas digitais não só serão capazes de simular a inteligência humana como, eventualmente, poderão superar a todos nós no nosso próprio jogo, o jogo de pensar, se comportar e viver como seres humanos. Costumo, nas minhas aulas, utilizar um diálogo hipotético entre um neurocientista (N) é um pesquisador da área de inteligência artificial (PIA) para ilustrar o abismo que separa aqueles que, como eu, acreditam ser bem-vindo o uso da tecnologia para promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas e aqueles que trabalham apenas com o objetivo de concretizar uma distopia. Eis aqui um momento desse diálogo:

 

N — Como você programaria o conceito de beleza em uma máquina da IA?

 

PIA — Defina um conceito de beleza para mim e eu posso programá-lo.

 

N - Esse é o problema central. Eu não posso definir beleza — você também não pode, tampouco outro ser humano que jamais viveu e experimentou a sensação de deparar-se com a beleza.

 

PIA — Se você não pode defini-la de forma precisa, não posso programá-la, ela simplesmente não interessa. Ela não existe. E, como cientista computacional, não me importo com ela.

 

N — A sua mãe ou sua filha são bonitas?

 

PIA — Sim, elas são.

 

No — E você pode definir por quê?

 

PlA — Não, eu não posso. Não posso programar a minha experiência subjetiva e pessoal no meu computador. Portanto, ela não existe nem significa nada do ponto de vista científico.

 

No — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é irrelevante?

 

PIA — Basicamente, sim! Você entendeu o meu ponto de vista.

 

Assustador como esse diálogo pode soar, quando milhões de pessoas vivendo nestes tempos modernos já decidiram que qualquer coisa que uma máquina não possa fazer é irrelevante para a humanidade.

 

(Adaptado de NICOLELIS, Miguel. O verdadeiro criador de tudo. São Paulo: Planeta, 2020, p. 1563-164)

As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:

  1. A quantificação de nossas sensações íntimas mostram-se insuficientes para definir a beleza.
  2. Não costumam distinguir limites na Inteligência Artificial quem julga absoluto o poder dela.
  3. Não interessa aos entusiastas da Inteligência Artificial avaliar a experiência que os arrebata.
  4. Resiste à definição do conceito de beleza experiências estéticas que julgamos compreender.
  5. Não convêm aos debatedores arriscar-se numa definição que se põem fora de seu alcance.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Na frase, a concordância verbal se explica porque o sujeito é um sujeito oracional: Avaliar a experiência que os arrebata. Pergunte ao verbo: "o que não interessa?" — responde-se com essa oração substantiva.

Por isso o verbo "interessar" aparece no singular ("interessa"), concordando com o núcleo do sujeito (a oração inteira). O adjunto "aos entusiastas da Inteligência Artificial" é complemento indireto e não determina a concordância.

Na oração relativa "que os arrebata", o pronome "que" retoma "experiência" (antecedente singular), logo o verbo "arrebata" também fica no singular. Colocando em ordem direta: Avaliar a experiência que arrebata os entusiastas não interessa a estes.

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