Questão FC337722
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Realidade e consciência A questão da consciência está profundamente relacionada com a noção de realidade. Mesmo que outros anim
Concordância (Verbal e Nominal)
FCC · 2024
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Realidade e consciência
A questão da consciência está profundamente relacionada com a noção de realidade. Mesmo que outros animais tenham algum nível de consciência e interajam ativamente com a realidade física, somos aparentemente a única espécie terrestre que tem autoconsciência e uma capacidade cognitiva suficientemente complexa para contemplar a natureza da consciência, mesmo se continuamos sem entendê-la. Em outras palavras, somos a única espécie capaz de refletir sobre a própria existência.
Existimos em um mundo que acreditamos ser real. Por “real” quero dizer um mundo que não é fabricação das nossas mentes, que tem uma existência que independe da nossa percepção. Essa crença vem da integração de estímulos oriundos “lá fora”, no mundo externo, levados ao mundo interior e lá interpretados, o mundo da nossa consciência. Com isso, vou contra a posição do idealista radical que acredita que apenas a mente existe e que a realidade "lá fora” é uma ilusão (doutrina chamada de solipsismo). A realidade "lá fora” existe, mesmo que sua natureza dependa de como a percebamos “aqui dentro”.
A dor que sentimos ao chutar uma pedra (a pedra está no caminho mesmo que a experiência da dor seja única para cada indivíduo) ou os bilhões de anos de história cósmica sem a existência de mentes (a inteligência, nossa ou qualquer outra, demora um tempo para evoluir) são, para mim, evidências suficientes de que o mundo existe independentemente da nossa presença.
Não há dúvida de que podem existir diferenças em como percebemos o mundo lá fora; alucinações são um excelente exemplo de como a nossa percepção da realidade pode ser distorcida. Mas parece claro que existe algo, uma realidade em que funcionamos, e que nossos cérebros percebem em parte através dos nossos órgãos sensoriais, nossas antenas para a realidade.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. Rio de Janeiro: Record, 1923, p. 315-316)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
- Não resultam das alucinações que nos assaltam senão a evidência das diferentes percepções que se aloja na consciência humana.
- Provém das nossas antenas para a realidade as sensações de que cabem aos nossos cérebros criar a realidade em que vivemos.
- Das espécies animais, somos a única que detém a capacidade de aplicar a consciência sobre as propriedades de que se vale essa mesma consciência.
- São próprios dos convictos idealistas radicais acreditarem que tudo o que consideram real advêm do poder da consciência humana.
- Ainda que não houvessem as dores que sentimos nos impactos físicos, a muitas outras evidências deviam render-se a tese dos idealistas.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Na oração "Das espécies animais, somos a única que detém a capacidade...", o verbo detém está correto porque o pronome relativo que retoma o substantivo "a única (espécie)" — seu antecedente — cujo núcleo é singular; assim, o verbo da oração relativa concorda em número com esse antecedente.
Em "propriedades de que se vale essa mesma consciência", o que refere‑se a "propriedades" mas exerce função de objeto da preposição de (verbo valer‑se de). O sujeito da locução verbal é "essa mesma consciência" (singular), portanto o verbo "se vale" está corretamente no singular.
Resumo: a concordância obedece ao papel sintático dos termos — o verbo da relativa concorda com seu antecedente; o verbo principal concorda com seu sujeito.
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