Questão FC337739
Quanto podemos conhecer do mundo? Será que podemos conhecer tudo? Ou será que existem limites fundamentais para o que a ciência pode explicar? Se esses limites existem, até que pon
Concordância (Verbal e Nominal)
FCC · 2023
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
A ilha do conhecimento
Quanto podemos conhecer do mundo? Será que podemos conhecer tudo? Ou será que existem limites fundamentais para o que a ciência pode explicar? Se esses limites existem, até que ponto podemos compreendera natureza da realidade?
O que vemos no mundo é uma infima fração do que existe. Muito do que existe é invisivel aos olhos, mesmo quando aumentamos nossa percepção sensorial com telescópios. microscópios e outros instrumentos de exploração. Tal como nossos sentidos, todo instrumento tem um alcance limitado. Como muito da Natureza permanece oculto, nossa visão de mundo é baseada apenas na fração da realidade que podemos medir e analisar. A ciência, nossa narrativa descrevendo aquilo que vemos e que conjecturamos existir no mundo natural, é, portanto, necessariamente limitada. contando-nos apenas parte da história. Quanto à outra parte, que nos é inacessível, pouco podemos afirmar. Porém, dados os sucessos do passado, temos confiança de que, passado tempo suficiente, parte do que hoje é mistério será incorporado na narrativa científica — desconhecimento se tornará conhecimento.
Essa visão dos nossos limites nada tem de anticientífica ou derrotista. Também não se trata de uma proposta para que sucumbamos a algum obscurantismo religioso. Pelo contrário, o impulso criativo, o desejo que temos de sempre querer saber mais, vem justamente do flerte com o mistério, da compulsão que temos de ir além das fronteiras do conhecido. O não saber é a musa do saber.
Nos últimos duzentos anos, avanços na fisica, na matemática e, mais recentemente, nas ciências da computação, nos ensinaram que a própria Natureza tem um comportamento esquivo do qual não podemos escapar. A própria Natureza — ao menos como nós percebemos — opera dentro de certos limites. O filósofo grego Heráclito já havia percebido isso quando escreveu, 25 séculos atrás, que “A Natureza ama esconder-se”.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. São Paulo: Editora Record, 2023, p. 13-14 e 19)
As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas na frase:
- Já haviam há 25 séculos pensadores que, como Heráclito, aplicava-se a reconhecer o limite que nos impunha as razões da própria Natureza.
- Nem tudo o que podemos conhecer dos fenômenos naturais encontra-se à disposição das técnicas cientificas que ora se prestigiam.
- É infima a fração dos fatos compreensíveis que se calculam haver em nosso mundo, ainda quando nos pareçam de grande relevância.
- Não cabem aos cientistas decretar o que podem ou não ser por eles conhecido, desde que a própria Natureza em seus mistérios teimam ocultar-se.
- Aos avanços das ciências exatas não correspondem, na exata medida, o avanço do conhecimento pleno que a tantos entusiasmam.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
B
Comentário do professor
Na frase indicada, a concordância verbal está correta porque cada verbo concorda com seu próprio sujeito na oração em que aparece.
Em "que podemos conhecer dos fenômenos naturais", o pronome relativo que funciona como objeto direto de "conhecer"; o verbo "podemos" concorda com o sujeito oculto "nós", daí a flexão na 1.ª pessoa do plural.
No trecho "Nem tudo ... encontra‑se à disposição...", o núcleo do sujeito é o pronome indefinido tudo (referido por "o"), portanto o verbo fica no singular: "encontra‑se".
Em "as técnicas científicas que ora se prestigiam", o pronome relativo que retoma "as técnicas científicas" (plural) e assume o papel de sujeito paciente da forma pronominal, exigindo o verbo no plural.
Assim, a frase preserva a coerência: cada verbo atende ao sujeito próprio — explícito ou implícito — e respeita as regras de concordância.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em