Questão FC337755
Atenção: Leia o texto para responder à questão. Chamamos nossa espécie de Homo sapiens - o humano sábio. Mas é discutível até que ponto temos feito jus ao nome. Nos últimos 100 mil
Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
FCC · 2024
Atenção: Leia o texto para responder à questão.
Chamamos nossa espécie de Homo sapiens - o humano sábio. Mas é discutível até que ponto temos feito jus ao nome.
Nos últimos 100 mil anos, nós, sapiens, certamente acumulamos um poder enorme. A mera listagem de todas as nossas descobertas, invenções e conquistas ocuparia muitos volumes. Mas poder não é sabedoria e, depois de 100 mil anos de descobertas, invenções e conquistas, a humanidade se arrastou para uma crise existencial. Estamos à beira da catástrofe ambiental, causada pelo mau uso do nosso próprio poder. Também estamos criando novas tecnologias, como a IA (Inteligência Artificial), que podem nos escravizar ou nos aniquilar. Mas em vez de a nossa espécie se unir para lidar com esses grandes problemas existenciais, as tensões internacionais estão aumentando, a cooperação global vem se tornando mais difícil, os países estão ampliando seus arsenais de aniquilação total, e não parece impossível que uma nova guerra mundial aconteça.
Apesar da espantosa quantidade de informação à nossa disposição, somos tão suscetíveis à fantasia e à ilusão quanto nossos ancestrais antigos. Por que somos tão bons em acumular mais informação e poder, mas muito menos hábeis em adquirir sabedoria? Muitas tradições ao longo da história acreditaram que temos alguma imperfeição fatal que desperta a tentação de buscar poderes com que não sabemos lidar.
(HARARI, Yuval. Nexus. Companhia das Letras, edição digital. Adaptado)
A frase em que o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente está em:
- a humanidade se arrastou para uma crise existencial.
- como devemos vivê-la?
- Estamos à beira da catástrofe ambiental.
- nós, sapiens, certamente acumulamos um poder enorme.
- que uma nova guerra mundial aconteça.
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Gabarito
A
Comentário do professor
"a humanidade se arrastou para uma crise existencial." apresenta o sujeito realizando e ao mesmo tempo recebendo a ação: portanto é estrutura pronominal.
O verbo aparece com o pronome "se", que indica reflexividade; isto é, o sujeito a humanidade age sobre si mesmo. Assim, o mesmo referente funciona como agente e paciente da ação.
Essa configuração é chamada de voz reflexiva (ou medial). Pode-se parafrasear: "a humanidade arrastou a si mesma para uma crise existencial", mantendo o sentido de autocausação.
Logo, a presença do pronome reflexivo e a interpretação de que o sujeito sofre a própria ação justificam a escolha da alternativa como correta.
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