Questão FC337780
Leia o texto “Insolubilia”, de Eduardo Giannett, É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura. No que poderia consistir uma solução para o enigma
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
FCC · 2024
Leia o texto “Insolubilia”, de Eduardo Giannett,
É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura. No que poderia consistir uma solução para o enigma da existência que fizesse sentido em termos humanos? Sabemos o que procuramos quando indagamos do sentido de uma palavra, de uma narrativa ou mesmo de uma vida individual: a semântica do termo; o enredo da trama e a “moral da história”; os valores norteadores e o propósito daquela vida no contexto particular em que ela transcorre. E quando se trata, contudo, da totalidade da vida ou do ser? O nó da questão não é apenas a dificuldade de formular uma conjectura minimamente plausível, mas reside na impossibilidade mesmo de sequer conceber o que possa vir a ser uma resposta adequada: pois, não importa qual seja a conjectura oferecida, ela implicará nova e justificada demanda explicativa, ou seja, um renovado -e possivelmente agravado - senso de mistério.
Suponha, por exemplo, que gerações futuras cheguem a descobrir de algum modo o que nos aconteceu e o que tudo, afinal, significa: somos um experimento cientifico abandonado pelos deuses nos confins do “multiverso”; ou o sonho que alguém de outro mundo está sonhando; ou uma pantomima farsesca para a gratificação de um espírito maligno; ou a via crucis probatória da salvação ou danação eterna das almas na eternidade - suponha, em suma, o que for o caso. A revelação do Grande Segredo, é de supor, teria um extraordinário efeito e nos forçaria a repensar em profundidade boa parte do que imaginávamos saber sobre nós mesmos. Ao mesmo tempo, porém, a descoberta de que “pertencemos a algo maior” ou, então, de que “o verdadeiro Deus é o Acaso”, descortinaria uma dimensão adicional da nossa ignorância e tornar-se-ia ela própria o Grande Mistério a ser decifrado. O hierógiifo da existência ganharia uma nova feição e o nosso “Ah! então era isso” serviria apenas como preâmbulo de um potencializado “Mas, então, por que tudo isso?!”. A ignorância infinita desconcerta o saber finito. Seja com o “a” minúsculo das metafisicas seculares ou o “A” maiúsculo das religiões, sempre haverá um além.
O termo sublinhado no primeiro parágrafo do texto refere-se a
- “contexto particular”.
- “ela”.
- “vida”.
- “valores norteadores”.
- “propósito daquela vida”.
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Gabarito
A
Comentário do professor
O destaque "que" é um pronome relativo que retoma a expressão imediatamente anterior: contexto particular. Substitui aqui "o qual" e introduz uma oração que especifica esse substantivo.
Trata‑se de uma oração subordinada adjetiva restritiva: acrescenta informação essencial sobre qual contexto se fala — isto é, o contexto no qual a vida transcorre.
A relação é direta: "o propósito daquela vida no contexto particular em que ela transcorre" significa, reescrevendo, "ela (a vida) transcorre naquele contexto particular".
Observe a concordância: o verbo "transcorre" está na 3.ª pessoa do singular para concordar com "contexto" (núcleo do referente).
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