Questão FC337786
Leia o texto abaixo para responder à questão. A idolatria do PIB. - O PIB é invenção recente. A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada a
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
FCC · 2024
Leia o texto abaixo para responder à questão.
A idolatria do PIB. - O PIB é invenção recente. A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada ano surgiu no período entreguerras, mas foi só em meados do século passado que os órgãos oficiais passaram a calcular e publicar dados de PIB para os diferentes países. Nenhum dos grandes economistas clássicos - Smith, Ricardo, Malthus, Marx ou Mill - jamais foi instado a prever o PIB do ano ou trimestre seguintes. O culto do PIB como métrica de sucesso das nações tornou-se uma espécie de religião do nosso tempo. O crescimento é a meta suprema em nome da qual governos são eleitos ou rejeitados nas urnas, e um antropólogo marciano poderia supor que o acrônimo PIB nomeia a nossa divindade-mor na vida pública, enquanto o afã de consumo preenche o vazio da existência na esfera privada. - Mas o que exatamente está sendo medido? Imagine uma comunidade na qual a água potável é um bem livre e desfrutado por todos com a mesma facilidade com que obtemos o ar que respiramos; suponha, no entanto, que as fontes de água foram poluídas e agora se tornou necessário purificá-la, engarrafá-la e distribuí-la, de modo que todos precisam trabalhar um pouco mais a fim de comprá-la no mercado - o que acontece com o PIB dessa comunidade? O erro não é de magnitude, mas de sinal: as pessoas empobreceram, ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram. Daí que: se eu moro perto do meu local de trabalho e posso caminhar até ele, o PIB nada registra; mas, se preciso tomar uma condução e pagar o bilhete (sem falar no tempo encarcerado no trânsito), ele sobe. Se eu gosto do que faço, embora ganhando menos do que poderia, e passo a trabalhar sem a menor alegria para um mundo caduco, mas recebendo um aumento por isso, o PIB sobe. O PIB, em suma, mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços - e nada mais. E, quando se tornar inevitável portar garrafinhas de oxigênio na cintura a fim de seguir respirando, o PIB subirá de novo.
(GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos: uma perspectiva brasileira da crise civilizatória. São Paulo: Companhia das Letras. 2016. pp. 51-52)
É possível perceber uma relação de causa e consequência entre os seguintes segmentos do texto:
- O PIB é invenção recente. / A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada ano.
- [...] passaram a calcular e publicar dados de PIB / para os diferentes países.
- [...] o afã de consumo / preenche o vazio da existência na esfera privada.
- [...] que as fontes de água foram poluídas / e agora se tornou necessário purificá-la.
- O erro não é de magnitude, mas de sinal: / as pessoas empobreceram, ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram.
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Gabarito
D
Comentário do professor
"[...] que as fontes de água foram poluídas / e agora se tornou necessário purificá-la." apresenta claramente uma relação de causa e consequência.
O primeiro segmento — poluição das fontes — é o evento que origina o problema; o segundo segmento — a necessidade de purificá-la — é a resposta exigida por esse evento. A expressão "e agora se tornou necessário" sinaliza a consequência direta da causa anterior.
Em termos lógicos, pode-se reescrever: já que as fontes foram poluídas, portanto tornou‑se necessário purificar a água. Assim, a sequência estabelece relação causal: a contaminação provoca a obrigatoriedade da purificação.
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