Questão FC337812
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte. [Poetas moços e velhos poetas] Hoje vos entreterei, caros leitores, com certo aspecto da vida literária. Aqueles que fazem ve
Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
FCC · 2025
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.
[Poetas moços e velhos poetas]
Hoje vos entreterei, caros leitores, com certo aspecto da vida literária. Aqueles que fazem versos e já atingiram a idade madura costumam receber pedidos de outros que também fazem mas estão na casa dos vinte. Parece que é esse um dos prêmios (muito discutíveis) de envelhecer: ser solicitado pelos mais novos a dar opinião sobre os vagidos do talento.
A coisa se dá assim: o moço apresenta-se confiante, munido de seus versos; o "mestre'' responde benévolo, paciente, minucioso, interessado em pormenores biográficos, ocultando sua vaidade sob um verniz de simpatia: "Escreva sempre, meu filho''. A isto se chama vida literária.
Sendo a literatura fenômeno socializante por excelência, contudo permanece fenômeno individual quanto à produção. E eu vos pergunto: pode a experiência do mais idoso servir à hesitação do jovem, dissolvê-la em certeza, encaminhá-lo a rumo certo? A vida responde a tudo isso repetindo a situação: todos os dias moços fazem consultas e todos os dias os ''maduros'' atendem com indicações, conselhos, receitas de poesia.
É certo que cinco ou dez anos depois a receita foi esquecida e o mestre com ela. Sucede também que após esse lapso de tempo o mestre seja não apenas esquecido, mas negado. Ataca-se o mestre, descobre-se que ele não o é. Na força do adulto, vinga-se o homem das debilidades do período de crescimento físico e intelectual, negando o que adorara. Os mestres da poesia não escapam a essa contingência, e ao escreverem uma ''carta ao jovem poeta'' deveriam meditar bem na escolha das palavras e no prazo de validade do sortilégio.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. Passeios na ilha. São Paulo: Cosac Naify, 2011, p. 113-114)
O velho poeta disse ao mais novo que a autoridade que hoje este lhe reconhecia se dissiparia com o tempo, e que a admiração juvenil se converteria em desprezo.
Transpondo-se a passagem acima para o discurso direto, ficará: O velho poeta disse ao mais novo:
- - A autoridade que você hoje reconhece em mim dissipar-se-á com o tempo, e sua admiração de jovem se converterá em desprezo.
- - Hoje, que a autoridade me está concedida, dissipa-se com o tempo, pois a jovialidade da admiração se tornará desprezível.
- - Você agora me reconhece com autoridade, todavia ela se dissipará com o tempo, desprezando-se em sua admiração juvenil.
- - Conquanto reconheça você hoje minha autoridade, será como desprezo que ela se dissipará ao ser tão juvenil.
- - Reconheces em mim a autoridade de hoje, mas o tempo da tua admiração juvenil passará a me converter em desprezo.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa apresenta corretamente a transferência para o discurso direto: o enunciado reproduz as palavras do velho poeta como se ele as pronunciasse, mantendo a vivacidade da fala.
Observe a mudança de referências: o pronome demonstrativo "este" do relato indireto vira segunda pessoa ("você") e o complemento "lhe" passa para a forma explícita "em mim", preservando quem fala e a quem se dirige.
Os tempos verbais também foram adaptados adequadamente: o original em futuro do pretérito ("se dissiparia", "se converteria") reaparece no futuro do presente ("dissipar-se-á", "converterá"), típico do discurso direto, pois expressa uma previsão formulada no momento da fala.
Finalmente, a manutenção do sentido é completa: a ideia de que a autoridade será perdida com o tempo e que a admiração juvenil se tornará desprezo permanece inalterada, com pronúncias e marcas temporais coerentes com a conversão para o discurso direto.
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