Questão FC337824
No — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é irrelevante?
Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
FCC · 2024
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
Um diálogo instrutivo
Muitos entusiastas da Inteligência Artificial (IA) continuam a insistir na venda da utopia de que as máquinas digitais não só serão capazes de simular a inteligência humana como, eventualmente, poderão superar a todos nós no nosso próprio jogo, o jogo de pensar, se comportar e viver como seres humanos. Costumo, nas minhas aulas, utilizar um diálogo hipotético entre um neurocientista (N) é um pesquisador da área de inteligência artificial (PIA) para ilustrar o abismo que separa aqueles que, como eu, acreditam ser bem-vindo o uso da tecnologia para promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas e aqueles que lrabalham apenas com o objetivo de concretizar uma distopia. Eis aqui um momento desse diálogo:
N — Como você programaria o conceito de beleza em uma máquina da IA?
PIA — Defina um conceito de beleza para mim e eu posso programá-lo.
N - Esse é o problema central. Eu não posso definir beleza — você também não pode, tampouco outro ser humano que jamais viveu e experimentou a sensação de deparar-se com a beleza.
PIA — Se você não pode defini-la de forma precisa, não posso programá-la, ela simplesmente não interessa. Ela não existe. E, como cientista computacional, não me importo com ela.
N — A sua mãe ou sua filha são bonitas?
PIA — Sim, elas são.
No — E você pode definir por quê?
PlA — Não, eu não posso. Não posso programar a minha experiência subjetiva e pessoal no meu computador. Portanto, ela não existe nem significa nada do ponto de vista científico.
No — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é irrelevante?
PIA — Basicamente, sim! Você entendeu o meu ponto de vista.
Assustador como esse diálogo pode soar, quando milhões de pessoas vivendo nestes tempos modemos já decidiram que qualquer coisa que uma máquina não possa fazer é imelevante para a humanidade.
(Adaptado de NICOLELIS, Miguel. O verdadeiro criador de tudo. São Paulo: Planeta, 2020, p. 1563-164)
Converte-se uma passagem do texto num discurso indireto em:
- Ponderou-me, então: acho que você concorda comigo nesse ponto.
- Defina para mim seu conceito de beleza, lançou-me em desafio.
- Desafiei-o: consideras bonitas tua mãe e tua filha?
- Como pretende você definir a beleza de modo preciso? — respondeu-me.
- Perguntei-lhe se ele seria capaz de programar o conceito de beleza.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A frase Perguntei-lhe se ele seria capaz de programar o conceito de beleza. é a transformação correta para o discurso indireto de uma pergunta direta. Em relatos de perguntas de sim/não, substitui‑se a interrogação por uma oração subordinada iniciada por se, convertendo a frase interrogativa em uma frase declarativa.
Houve também ajuste pronominal: o tratamento você da pergunta direta passa a ele no relato, refletindo a mudança de pessoa. O verbo mantém sentido modal ("seria capaz"), adequado ao original.
Observe a pontuação: no discurso indireto não há ponto de interrogação; encerra‑se com ponto final, pois o enunciador está relatando a pergunta, não fazendo‑a diretamente.
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