Questão FC337845
Poema arcaico II Não faço versos porque quero mas porque o tempo dos relógios me confunde e a Insânia dos ventos me atormenta Não sei de onde vêm os versos que faço chegados na chu
Linguagem
FCC · 2024
Poema arcaico II
Não faço versos porque quero
mas porque o tempo dos relógios me confunde
e a Insânia dos ventos me atormenta
Não sei de onde vêm
os versos que faço
chegados na chuva
trazidos no vento
Eles me caçam
me acham
versos vadios
versos gastos
passados de mão em mão
nos tempos de todos os tempos
nas cores de canções
nas rodas de verões
versos já ditos escritos repisados
por multidão de tresloucados
poetas em suas horas incautas
versos antigos, arcaicos
perdidos na contramão das estradas
versos mortos que renascem
nas minhas mãos.
(CÉSAR, Ana Maria. Disponível em:
http://domingocompoesia.com.br)
No trecho versos antigos arcaicos I perdidos na contramão das estradas, a figura de linguagem predominante é:
- Aliteração.
- Hlpérbole.
- Eufemismo.
- Metáfora
- Antítese.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A expressão "versos antigos arcaicos perdidos na contramão das estradas" funciona como metáfora. Aqui, termos do campo do trânsito (perdidos, contramão, estradas) são aplicados a elementos abstratos — os versos — criando um sentido figurado.
Na metáfora, uma palavra sai do seu sentido literal para representar outra ideia por relação implícita; não há conectivos comparativos. Assim, os versos não são literalmente veículos, mas figuram-se como deslocados, fora do fluxo dominante.
O efeito é sugerir que esses versos são desalinhados ao tempo, esquecidos ou contrários às vias culturais atuais — imagens que reforçam deslocamento, resistência temporal e renascimento poético.
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