Questão FC337857
Para responder a questão, leia o trecho do poema de Manuel Bandeira. Há que tempo que não te vejo! Não foi por querer, não pude, Nesse ponto a vida me foi madrasta, Recife. Mas não
Linguagem
FCC · 2023
Para responder a questão, leia o trecho do poema de Manuel Bandeira.
Há que tempo que não te vejo!
Não foi por querer, não pude,
Nesse ponto a vida me foi madrasta,
Recife.
Mas não houve dia em que te não sentisse dentro de mim:
Nos ossos, nos olhos, nos ouvidos, no sangue, na carne,
Recife.
Não como és hoje,
Mas como eras na minha infância,
Quando as crianças brincavam no meio da rua
(Não havia ainda automóveis)
E os adultos conversavam de cadeira nas calçadas
(Continuavas província, Recife)
(Adaptado de: BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990)
Ao evocar Recife, o poeta recorre sobretudo à seguinte figura de linguagem:
- pleonasmo.
- antítese.
- ironia.
- personificação.
- eufemismo.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Ao evocar Recife, o poeta usa a figura da personificação (ou prosopopeia): atribui à cidade traços e ações tipicamente humanos.
No verso "Nos ossos, nos olhos, nos ouvidos, no sangue, na carne, Recife", órgãos e sensações humanas são colocados como se pertencessem à cidade, transformando-a em sujeito sensível e presente.
Essa operação estilística intensifica a saudade e a ligação afetiva do eu lírico: Recife não é apenas espaço geográfico, mas um ser que sente, habita a memória e sofre a passagem do tempo.
Assim, a personificação torna concreta a presença íntima da cidade na experiência corporal e emocional do poeta.
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