Questão FC337859
Eu fico cá embaixo maginando na ponte moderna – moderna por quê?
Linguagem
FCC · 2023
Leia o trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade.
II. SABARÁ
A dois passos da cidade importante
a cidadezinha está calada, entrevada.
(Atrás daquele morro, com vergonha do trem.)
Só as igrejas
só as torres pontudas das igrejas
não brincam de esconder.
O Rio das Velhas lambe as casas velhas,
casas encardidas onde há velhas nas janelas.
Ruas em pé
(...)
Eu fico cá embaixo maginando na ponte moderna – moderna por quê?
A água que corre
já viu o Borba.
Não a que corre, mas a que não para nunca de correr.
Ai tempo!
Nem é bom pensar nessas coisas mortas, muito mortas.
Os séculos cheiram a mofo
e a história é cheia de teias de aranha.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. São Paulo: Record, edição digital)
Nas duas primeiras estrofes do poema, emprega-se, sobretudo, a seguinte figura de linguagem:
- hipérbole.
- personificação.
- eufemismo.
- pleonasmo.
- antítese.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Personificação é a figura presente no trecho: consiste em atribuir a seres inanimados ou abstratos atitudes, sensações ou qualidades próprias de seres humanos.
No poema, versos como "a cidadezinha está calada, entrevada" conferem à cidade características humanas — silêncio consciente e incapacidade de mover‑se — o que evidencia a aplicação da personificação.
A palavra prosopopeia é sinônima e ajuda a identificar a figura: sempre que um substantivo não humano recebe verbo, adjetivo ou emoção típicos de pessoas, trata‑se dela.
Esse recurso torna a imagem poética mais vívida e expressiva, sugerindo estagnação e vida interior do lugar, sem recorrer a descrição literal.
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