Questão FC337915
A escrita criativa pode ser ensinada?
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2025
Leia o texto, para responder a questão seguinte.
A escrita criativa pode ser ensinada?
É uma pergunta sensata, mas por mais vezes que me tenha sido feita, nunca sei realmente o que responder. Porque se o que as pessoas querem dizer é “pode o amor à linguagem ser ensinado?”, “pode o talento para a narração de histórias ser ensinado?”, então a resposta é não. Talvez seja esta a razão por que a pergunta é formulada tantas vezes num tom cético que sugere que, diferentemente da tabuada de multiplicar ou dos princípios da mecânica automobilística, a criatividade não pode ser transmitida de professor para aluno. Imagine Milton inscrevendo-se num programa de pós-graduação para obter ajuda com Paraíso perdido, ou Kafka suportando um seminário em que seus colegas o informam que, francamente, a passagem em que o sujeito acorda uma manhã pensando que é um inseto gigante não os convence. O que me confunde não é a sensatez da pergunta, mas o fato de que ela está sendo feita a uma escritora que ensinou escrita, intermitentemente, por quase 20 anos. Que impressão eu daria sobre mim, meus alunos e as horas que passamos na sala de aula se dissesse que qualquer tentativa de ensinar a escrita de ficção é uma completa perda de tempo? Provavelmente teria de ir em frente e admitir que andei cometendo uma fraude criminosa.
(Adaptado de: PROSE, Francine. Para ler como um escritor: um guia para quem gosta de livros e para quem quer escrevê-los. São Paulo: Zahar, 2008. p. 8-9)
O uso de referências como Milton e Kafka no texto serve para ilustrar uma
- ideia de que esses escritores foram mal orientados.
- necessidade de ajuda acadêmica para escritores consagrados.
- crítica à formação acadêmica de escritores consagrados.
- ideia de que a criação de grandes obras não depende de ensino formal.
- visão de que o ensino formal é um erro para escritores.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta que as referências a Milton e Kafka servem para reforçar a ideia de que a criação de grandes obras não depende do ensino formal.
O autor evoca imagens exageradas — Milton matriculado num programa de pós‑graduação, Kafka submetendo‑se a um seminário — para expor o absurdo da hipótese de que esses mestres precisariam de orientação acadêmica.
Essa figura retórica, marcada pela ironia, contrapõe a grandeza literária à noção de que a criatividade é mera técnica ensinável.
Ao afirmar sua própria longuíssima experiência como professora, a narradora cria um contraste: ensinar é legítimo, mas isso não anula a ideia de que parte da criatividade é um talento inato que não se transmite integralmente em sala de aula.
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