Questão FC337921
Leia o texto para responder à questão. A “caixa de Pandora” é uma metáfora usada para caracterizar ações que, menosprezando o princípio da precaução, desencadeiam consequências mal
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2025
Leia o texto para responder à questão.
A “caixa de Pandora” é uma metáfora usada para caracterizar ações que, menosprezando o princípio da precaução, desencadeiam consequências maléficas, terríveis e irreversíveis. O mito de Pandora origina-se nos poemas épicos de Hesiodo (a Teogonia), escritos durante o século VII a.C. e considerados uma das mais antigas versões sobre a origem do Universo.
Zeus deu a Pandora, como presente de casamento, uma caixa (na Grécia antiga, um jarro), mas avisou-a para nunca a abrir, pois seria melhor deixá-la intocada. A vontade de abri-la superou qualquer precaução: coisas horríveis voaram para fora, incluindo ganância, inveja, ódio, dor, doença, fome, pobreza, guerra e morte.
Hoje em dia, a caixa de Pandora continua sendo aberta, não por pessoas desavisadas, mas por personagens que prestam serviços em nome da ciência, da política e da economia.
Ai estão os agravos à saúde da população, à biodiversidade, ao habitat dos demais seres vivos, à preservação dos ecossistemas, à própria Terra como um todo. A confiança na tecnologia como panaceia para todos os males resultou em considerar a “inteligência artificial” como opção para o declínio da “inteligência natural”.
Eleitos adversos relativos ao ultraprocessamento dos alimentos, às transformações genéticas, às radiações eletromagnéticas continuam ainda pouco explorados. Entidades diversas subsidiam pesquisas científicas, desde que seus resultados respaldem, à priori, o que afirmam sobre seus métodos, produtos e ações.
Jornalistas, influenciadores e meios de comunicação social teriam que destacar os objetivos desejáveis e colocar em debate os caminhos para alcançá-los.
O resgate da Terra e o resgate da humanidade são aspectos complementares e devem ser tratados simultaneamente, no espaço e no tempo, para seu apoio mútuo.
A questão é que as mudanças dependem da adoção de novas formas de estar no mundo. Elas implicam o apoio de dimensões interdependentes: intima (mundo pessoal); interativa (relações grupais); social (política, econômica); e biofísica [condições ambientais).
Existe uma sinergia entre todas essas dimensões: elas podem se congregar em tomo de objetivos comuns (ecossistemas), ou se repelirem (ruptura e caos).
Eis aqui a caixa de Pandora.
(adaptado de: André Francisco Pilon. Disponível em: https://jornal.usp.br. Acesso em 06/2025)
O autor propõe que, para que se estabeleçam “novas formas de estar no mundo”, é preciso, entre outros:
- transferir o poder de tomada de decisão para as instituições tecnocráticas.
- financiar pesquisas que corroborem resultados pré-definidos.
- substituir a inteligência natural pela artificial.
- haver convergência entre objetivos pessoais, sociais e ambientais.
- agir em prol do planeta, ou seja, em detrimento de propósitos individuais.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa correta indica a necessidade de convergência entre objetivos pessoais, sociais e ambientais para instaurar as “novas formas de estar no mundo”.
O texto explicita isso ao mencionar “dimensões interdependentes: íntima (mundo pessoal); interativa (relações grupais); social (política, econômica); e biofísica [condições ambientais]”. Essa enumeração mostra que essas esferas não atuam isoladamente, mas exigem apoio mútuo e coordenação.
Além disso, o autor fala em sinergia: as dimensões podem “congregar em torno de objetivos comuns (ecossistemas)” ou se repelir, gerando ruptura. Assim, a proposta de mudança depende de alinhar metas individuais, coletivas e ambientais para evitar consequências negativas e promover soluções integradas.
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