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Questão FC337926

Leia o texto “Insolubilia”, de Eduardo Giannett, É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura. No que poderia consistir uma solução para o enigma

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

Leia o texto “Insolubilia”, de Eduardo Giannett,

 

É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura. No que poderia consistir uma solução para o enigma da existência que fizesse sentido em termos humanos? Sabemos o que procuramos quando indagamos do sentido de uma palavra, de uma narrativa ou mesmo de uma vida individual: a semântica do termo; o enredo da trama e a “moral da história”; os valores norteadores e o propósito daquela vida no contexto particular em que ela transcorre. E quando se trata, contudo, da totalidade da vida ou do ser? O nó da questão não é apenas a dificuldade de formular uma conjectura minimamente plausível, mas reside na impossibilidade mesmo de sequer conceber o que possa vir a ser uma resposta adequada: pois, não importa qual seja a conjectura oferecida, ela implicará nova e justificada demanda explicativa, ou seja, um renovado -e possivelmente agravado - senso de mistério.

 

Suponha, por exemplo, que gerações futuras cheguem a descobrir de algum modo o que nos aconteceu e o que tudo, afinal, significa: somos um experimento cientifico abandonado pelos deuses nos confins do “multiverso”; ou o sonho que alguém de outro mundo está sonhando; ou uma pantomima farsesca para a gratificação de um espírito maligno; ou a via crucis probatória da salvação ou danação eterna das almas na eternidade - suponha, em suma, o que for o caso. A revelação do Grande Segredo, é de supor, teria um extraordinário efeito e nos forçaria a repensar em profundidade boa parte do que imaginávamos saber sobre nós mesmos. Ao mesmo tempo, porém, a descoberta de que “pertencemos a algo maior” ou, então, de que “o verdadeiro Deus é o Acaso”, descortinaria uma dimensão adicional da nossa ignorância e tornar-se-ia ela própria o Grande Mistério a ser decifrado. O hierógiifo da existência ganharia uma nova feição e o nosso “Ah! então era isso” serviria apenas como preâmbulo de um potencializado “Mas, então, por que tudo isso?!”. A ignorância infinita desconcerta o saber finito. Seja com o “a” minúsculo das metafisicas seculares ou o “A” maiúsculo das religiões, sempre haverá um além.

 

O autor dirige-se explicitamente a seu leitor no seguinte trecho:

  1. É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura.
  2. O nó da questão não é apenas a dificuldade de formular uma conjectura minimamente plausível.
  3. Suponha, por exemplo, que gerações futuras cheguem a descobrir de algum modo o que nos aconteceu.
  4. Seja com o “a” minúsculo das metafísicas seculares ou o “A” maiúsculo das religiões, sempre haverá um além.
  5. não importa qual seja a conjectura oferecida, ela implicará nova e justificada demanda explicativa.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

"Suponha, por exemplo, que gerações futuras cheguem a descobrir de algum modo o que nos aconteceu."

Nesse trecho o autor dirige-se diretamente ao leitor porque emprega o verbo Suponha como forma de comando/sugestão — isto é, um modo imperativo usado para convidar à reflexão.

Na prática, o pronome você está elíptico: a forma verbal em 3.ª pessoa funciona como imperativo formal, implicando uma interlocução explícita. Assim, o enunciador não só descreve uma ideia, mas chama o leitor a adotá‑la hipoteticamente.

Portanto, a presença do verbo no imperativo e a estrutura hipotética da oração tornam esse trecho o ponto em que o autor fala diretamente com quem lê.

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