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Questão FC337942

Temos que acreditar Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença? Esta é uma pergunta central na dicotomia entre ciência e fé. De fato, o modo como um indivíduo escol

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

Temos que acreditar

 

Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença? Esta é uma pergunta central na dicotomia entre ciência e fé. De fato, o modo como um indivíduo escolhe responder a ela determina, em grande parte, como se relaciona com o mundo e a vida em geral. Contrastando as explicações míticas e científicas da realidade, podemos dizer que muitos religiosos buscam explicar o desconhecido com o desconhecível, enquanto a ciência busca explicar o desconhecido com o conhecível.

 

Muito da tensão entre ciência e fé vem da suposição de que existem duas realidades mutuamente incompatíveis, uma dentro deste mundo (e, portanto, “conhecível” através da aplicação diligente do método científico) e outro fora dele (e. portanto, “desconhecível”, relacionada tradicionalmente à crença religiosa).

 

Mitos religiosos permitem que os que neles creem transcendam sua “situação histórica”, a perplexidade que sentimos ao compreendermos que somos criaturas delimitadas pelo tempo, cada um com uma história que tem um começo e um fim. Em um nível mais pragmático, explicações míticas de fenômenos naturais são tentativas pré-científicas de dar sentido àquilo que existe além do controle humano. A motivação por irás dessas explicações não é tão diferente daquela da ciência, já que ambas tentam de alguma forma revelar mecanismos por trás dos fenômenos naturais: afinal, tanto deuses quanto forças físicas fazem coisas acontecer, mesmo que de formas radicalmente distintas.

 

Tanto o cientista quanto o crente acreditam em causas não compreendidas, ou seja, em coisas que ocorrem por razões desconhecidas, mesmo que a natureza da causa seja completamente diferente para cada um.

 

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. À Ilha do conhecimento. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 31-32)

 

Conforme o terceiro parágrafo, entende-se por “situação histórica”

  1. a revelação de mecanismos incógnitos do mundo.
  2. a perplexidade motivada por nosso pragmatismo.
  3. a transcendência impulsionada pelo mundo natural.
  4. a narrativa vivida de modo determinado por um indivíduo.
  5. as tentativas pré-científicas de dar sentido às coisas.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Situação histórica, no trecho, é explicitada como “a perplexidade que sentimos ao compreendermos que somos criaturas delimitadas pelo tempo, cada um com uma história que tem um começo e um fim.”

Portanto, a expressão refere‑se à condição temporal e biográfica do indivíduo: à sequência de eventos e experiências que compõem a sua existência.

Chamar isso de “narrativa vivida” é adequado porque ressalta que se trata de uma história pessoal, vivida e marcada por limites temporais que moldam a percepção do mundo.

Os mitos, segundo o texto, servem justamente para que o crente ultrapasse essa condição temporal; assim, a alternativa D descreve fielmente o sentido de situação histórica.

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