Questão FC337943
Temos que acreditar Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença? Esta é uma pergunta central na dicotomia entre ciência e fé. De fato, o modo como um indivíduo escol
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Temos que acreditar
Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença? Esta é uma pergunta central na dicotomia entre ciência e fé. De fato, o modo como um indivíduo escolhe responder a ela determina, em grande parte, como se relaciona com o mundo e a vida em geral. Contrastando as explicações míticas e científicas da realidade, podemos dizer que muitos religiosos buscam explicar o desconhecido com o desconhecível, enquanto a ciência busca explicar o desconhecido com o conhecível.
Muito da tensão entre ciência e fé vem da suposição de que existem duas realidades mutuamente incompatíveis, uma dentro deste mundo (e, portanto, “conhecível” através da aplicação diligente do método científico) e outro fora dele (e. portanto, “desconhecível”, relacionada tradicionalmente à crença religiosa).
Mitos religiosos permitem que os que neles creem transcendam sua “situação histórica”, a perplexidade que sentimos ao compreendermos que somos criaturas delimitadas pelo tempo, cada um com uma história que tem um começo e um fim. Em um nível mais pragmático, explicações míticas de fenômenos naturais são tentativas pré-científicas de dar sentido àquilo que existe além do controle humano. A motivação por irás dessas explicações não é tão diferente daquela da ciência, já que ambas tentam de alguma forma revelar mecanismos por trás dos fenômenos naturais: afinal, tanto deuses quanto forças físicas fazem coisas acontecer, mesmo que de formas radicalmente distintas.
Tanto o cientista quanto o crente acreditam em causas não compreendidas, ou seja, em coisas que ocorrem por razões desconhecidas, mesmo que a natureza da causa seja completamente diferente para cada um.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. À Ilha do conhecimento. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 31-32)
No contexto do terceiro parágrafo, ao se falar de explicações míticas e científicas, considera-se que
- as coisas que ambas fazem acontecer revelam possível identidade de procedimentos.
- as causas dos intrincados fenômenos naturais elucidam-se por uma disposição de fé.
- cientistas e religiosos convergirão no final de tudo para resultados similares.
- a dicotomia inicial entre distintas formas de conhecimento tende a ser suprimida.
- alguma semelhança de propósitos não elimina uma distinção drástica entre os métodos.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O texto afirma que tanto religiões quanto a ciência buscam explicar o desconhecido, ou seja, partilham uma semelhança de propósitos, mas o autor ressalta que isso não implica identidade de procedimentos.
No terceiro parágrafo, as explicações míticas são tratadas como tentativas pré-científicas de dar sentido a fenômenos fora do controle humano, enquanto a ciência procura revelar mecanismos por meio de métodos distintos.
A expressão final do trecho — que deuses e forças físicas agem “de formas radicalmente distintas” — sustenta a conclusão de que a coincidência de objetivos não elimina a distinção drástica entre os métodos.
Portanto, a alternativa correta sintetiza a ideia central: propósitos semelhantes, métodos incompatíveis.
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