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Questão FC337945

Ideal do filósofo Jean-Jacques Rousseau A critica às sociedades civilizadas e a idealização do homem primitivo, manifestadas a todo passo nas obras do filósofo Rousseau [1713-1784]

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

Ideal do filósofo Jean-Jacques Rousseau

 

A critica às sociedades civilizadas e a idealização do homem primitivo, manifestadas a todo passo nas obras do filósofo Rousseau [1713-1784], foram vistas por muitos intérpretes como a expressão de um desejo de retorno à animalidade. Mas o que o filósofa sempre pretendeu não foi exaltar a animalidade do selvagem, mas sua mais profunda humanidade em relação ao homem civilizado.

 

O homem, para Rousseau, não se regenera pela destruição da sociedade e com o retorno à vida no meio das florestas. Embora privado, no estado social, de muitas vantagens da natureza, ele soube adquirir outras: capacidade de desenvolver-se mais rapidamente, ampliação dos horizontes intelectuais, enobrecimento dos sentimentos e elevação total da alma. Se os abusos do estado social civilizado não o colocassem abaixo da vida primitiva, o homem deveria bendizer sem cessar O instante feliz que o arrancou para sempre da animalidade e fez de um ser estúpido e limitado uma criatura inteligente. O propósito visado por Rousseau é combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos.

 

Os abusos centralizam-se, para ele, na perda da consciência a que é conduzido o homem pelo culto dos refinamentos, das mentiras convencionais, da ostentação da inteligência e da cultura, nas quais se busca mais a admiração do próximo do que a satisfação da própria consciência. Rousseau, em uma palavra, não pretende queimar bibliotecas ou destruir universidades e academias; reconhece a função útil das ciências e das arfes, mas não quer ver os artistas e intelectuais submetidos aos caprichos frívolos das modas passageiras. Pelo contrário, glorifica os esforços laboriosos da conquista intelectual verdadeira, que se realiza na luta contra os obstáculos da violência e na atividade do espírito critico, livre de pressões.

 

(Adaptado do encarte, sem identificação de autoria, do volume Rousseau = Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 474-475)

 

Para o filósofo Jean-Jacques Rousseau,

  1. Instituições culturais como museus e bibliotecas libertam-nos de vez de vícios ancestrais.
  2. a racionalidade e a Inteligência impediram que instintos primitivos aflorem no homem.
  3. não há vantagens em se libertar da vida natural para se integrar ao estado social civilizado.
  4. certas perversões da vida social levam o homem a experiências do mais baixo primitivismo.
  5. a sofisticação mais oportuna da consciência humana está em reorientar-se pelo animalismo.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa está correta porque sintetiza a ideia central do texto: para Rousseau, certos abusos do convívio social — o culto dos refinamentos, as mentiras convencionais e a ostentação — conduzem à perda da consciência e a uma regressão moral.

Esse retrocesso não é a celebração literal da animalidade, mas a ideia de que o homem, por se submeter a vícios sociais, pode ser colocado abaixo da vida primitiva, ou seja, viver experiências de um primitivismo degradado, marcado por impulsos e comportamentos rebaixados.

Rousseau, portanto, critica essas perversões da vida social para combater os abusos que desumanizam o indivíduo, sem rejeitar as conquistas intelectuais e culturais; a alternativa traduz essa inferência do texto.

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