Questão FC337954
Ciência: o valor dos limites A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer,
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Ciência: o valor dos limites
A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer, precisamos abraçar as incertezas. A existência dos limites não deve ser vista como um obstáculo intransponível. Limites são oportunidades, alavancas que nos ensinam algo sobre o mundo e sobre nós mesmos, que nos incentivam a prosseguir na busca de respostas. Limites expandem as possibilidades de quem podemos ser.
A ciência é muito mais do que conhecimento acumulado do mundo natural. É uma visão de mundo, um estilo de vida, uma aspiração coletiva de crescermos como espécie em um cosmos repleto de mistérios, de medos e encantos. A ciência é o cobertor com que cobrimos os pés à noite, a luz que ligamos no fim do corredor, o mentor paciente que nos lembra do que somos capazes quando trabalhamos juntos. Que a ciência seja usada tanto para o bem como para o mal não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana, a tendência que temos tanto para criar quanto para destruir.
Embora as ciências físicas e sociais sejam capazes de iluminar muitos aspectos do conhecimento, não têm como missão responder a todas as perguntas. Nada diminuiria mais o espírito humano do que restringir nossa criatividade a uma única esquina do conhecimento. Somos criaturas multidimensionais e buscamos respostas de muitas formas. Cada uma tem seus propósitos e precisamos de todas elas.
Aceitar que o conhecimento é incompleto não é uma derrota do intelecto humano, não significa que estamos enquadrando a ciência como uma atividade humana, falível mesmo que poderosa, incompleta mesmo como melhor ferramenta para descrever o mundo. A ciência não reflete uma verdade divina, existente em um domínio platônico de perfeição e beleza. A ciência reflete a inquietude humana, nossa necessidade de ter algum controle sobre o tempo, sobre o misto de veneração e temor que sentimos quando confrontamos a imensidão do cosmos.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. 7.ed. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 325-328, passim)
A convicção exposta na frase A ciência precisa falhar para avançar justifica-se e acentua-se nesta outra afirmação do texto:
- tendência que temos tanto para criar quanto para destruir.
- Somos criaturas multidimensionais.
- Queremos certezas.
- Limites são oportunidades, alavancas.
- uma aspiração coletiva de crescermos.
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Gabarito
D
Comentário do professor
"A ciência precisa falhar para avançar" encontra respaldo direto na ideia de que limites são oportunidades, alavancas. Quando um método, experimento ou teoria alcança um limite, não é o fim, mas o ponto em que surge informação essencial: o que não explica, onde erra, quais hipóteses caem.
Essa exposição das falhas permite a falsificabilidade e estimula o processo iterativo de formular hipóteses melhores, ajustar modelos e criar novos instrumentos. Em outras palavras, o erro revela fronteiras e orienta onde atuar para ampliar conhecimento — transformando restrições em forças propulsoras.
Assim, ver limites como alavancas significa compreender que a ciência avança graças à identificação e exploração das suas próprias insuficiências, convertendo falhas em progresso contínuo.
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