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Questão FC337955

Ciência: o valor dos limites A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer,

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

Ciência: o valor dos limites

 

A esperança de que podemos atingir o conhecimento total é muito simplista. A ciência precisa falhar para avançar. Queremos certezas. Mas, para crescer, precisamos abraçar as incertezas. A existência dos limites não deve ser vista como um obstáculo intransponível. Limites são oportunidades, alavancas que nos ensinam algo sobre o mundo e sobre nós mesmos, que nos incentivam a prosseguir na busca de respostas. Limites expandem as possibilidades de quem podemos ser.

 

A ciência é muito mais do que conhecimento acumulado do mundo natural. É uma visão de mundo, um estilo de vida, uma aspiração coletiva de crescermos como espécie em um cosmos repleto de mistérios, de medos e encantos. A ciência é o cobertor com que cobrimos os pés à noite, a luz que ligamos no fim do corredor, o mentor paciente que nos lembra do que somos capazes quando trabalhamos juntos. Que a ciência seja usada tanto para o bem como para o mal não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana, a tendência que temos tanto para criar quanto para destruir.

 

Embora as ciências físicas e sociais sejam capazes de iluminar muitos aspectos do conhecimento, não têm como missão responder a todas as perguntas. Nada diminuiria mais o espírito humano do que restringir nossa criatividade a uma única esquina do conhecimento. Somos criaturas multidimensionais e buscamos respostas de muitas formas. Cada uma tem seus propósitos e precisamos de todas elas.

 

Aceitar que o conhecimento é incompleto não é uma derrota do intelecto humano, não significa que estamos enquadrando a ciência como uma atividade humana, falível mesmo que poderosa, incompleta mesmo como melhor ferramenta para descrever o mundo. A ciência não reflete uma verdade divina, existente em um domínio platônico de perfeição e beleza. A ciência reflete a inquietude humana, nossa necessidade de ter algum controle sobre o tempo, sobre o misto de veneração e temor que sentimos quando confrontamos a imensidão do cosmos.

 

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. 7.ed. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 325-328, passim)

 

O autor considera a possibilidade de que a ciência seja usada tanto para o bem como para o mal, uma vez que ela

  1. se mostra sujeita às escolhas com que norteamos sua aplicação.
  2. não leva em conta o fato de sermos criaturas multidimensionais.
  3. não é capaz de nos levar a qualquer atitude de caráter moralizante.
  4. está associada a métodos que podem ser ou não eficazes.
  5. se mostra sujeita à variação mesma dos valores civilizacionais.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Alternativa correta: a ciência se mostra sujeita às escolhas com que norteamos sua aplicação.


O trecho afirma explicitamente que o uso da ciência “para o bem ou para o mal não reflete a ciência em si, mas a precariedade da natureza humana”. Isso indica que a ciência, como conjunto de métodos e conhecimentos, é um instrumento neutro: sua carga moral não é intrínseca, mas decorre das decisões de quem a emprega.


Assim, o autor sustenta que cabe aos agentes humanos — por suas intenções, valores e escolhas — orientar se a ciência servirá a fins benéficos ou prejudiciais, responsabilizando o usuário, não o saber científico em si.

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