Questão FC337961
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. Valor social da memória Não há evocação, não há memória sem uma inteligência do presente, um homem não sabe o que ele é se não
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2024
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
Valor social da memória
Não há evocação, não há memória sem uma inteligência do presente, um homem não sabe o que ele é se não for capaz de sair das determinações atuais. Aturada reflexão pode preceder e acompanhar a evocação. Uma lembrança é um diamante bruto que precisa ser lapidado pelo espírito: sem o trabalho da reflexão e da localização, seria uma imagem fugidia. O sentimento também precisa acompanhá-la, para que ela não seja uma repetição do estado antigo, mas uma reaparição.
Se existe uma memória voltada para a ação, com sua prática de hábitos assimilados, e uma outra memória que simplesmente revive o passado, parece ser esta a dos velhos, Já libertos das atividades profissionais e familiares. Mas o ancião não sonha quando rememora: desempenha uma função para a qual está maduro, a alta função de unir o começo ao fim, de divisar os limites de uma história inteira. Um mundo social que possuí uma riqueza e uma diversidade que não conhecemos pode chegar-nos pela memória dos velhos. Momentos desse mundo perdido podem ser compreendidos por quem não os viveu. A conversa evocativa de um velho é sempre uma experiência profunda: para quem sabe ouvi-la, cria um nexo entre o passado e o presente, é Instigante e inspiradora.
(Adaptado de: 8OS1, Edéa. Memória e sociedade - Lembranças de velhos. 20.ed. sao Paulo: Companhia das Letras. p. 84)
Considerando-se o contexto, deve-se entender que a expressão
- divisar os limites de uma história (2º parágrafo) aponta para a relevância social da memória dos velhos.
- para quem sabe ouvi-la (2ºparágralo) personaliza um receptor de atenção descurada.
- Inteligência do presente (1º parágrafo) refere-se à racionalidade de quem se aliena do que Já passou.
- diamante bruto (1º parágrafo) é utilizada para acentuar o desprestígio de que sofre a memória dos velhos.
- prática de hábitos assimilados (2º parágrafo) acentua a capacidade máxima de criação que tem a memória.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A expressão divisar os limites de uma história aponta para a capacidade do idoso de perceber a trajetória inteira de uma vida ou de um tempo social, isto é, ver o começo e o fim e as relações entre ambos.
Por meio dessa visão integral, a memória dos velhos torna‑se recurso social: não são meras recordações episódicas, mas interpretações maduras que situam eventos, hábitos e valores num contexto mais amplo.
Ao relatar, o ancião oferece nexos que ligam passado e presente, permitindo a quem ouve compreender mundos já perdidos e incorporar esse saber à experiência coletiva — razão pela qual sua memória tem relevância social.
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