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Questão FC337971

Leia o texto abaixo para responder à questão. Estatuto do Amor Não esperes aquele ano em que, por obra de tua violência, a tua família seja dizimada, para só então descobrires a gr

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

Leia o texto abaixo para responder à questão.

Estatuto do Amor

  1. Não esperes aquele ano em que, por obra de tua violência, a tua família seja dizimada, para só então descobrires a gravidade indizível de tua infância. Para saberes que gozo terias sentido se, em vez de matá-la, a tivesses levado ao pélo enquanto vivia.

  2. Mergulha, sim, na liturgia do amor e renuncia à tua descabida ira. O amor é e será sempre teu melhor gesto na terra. O único capaz de projetar luz sobre esta precária existência humana.

  3. Não permitas que, sob o jugo de tua ira, mulher e filhos fiquem ao desabrigo da sorte, ingrata e imprevidente.

  4. Defende o teu lar de ti mesmo. Da tua ferocidade, da tua paixão desenfreada, da ânsia de golpear, de mutilar, de maltratar, como se te coubesse este desapiedado e falso exercício da Justiça.

  5. Mas se, no futuro, o amor à mulher se esgote, não é razão para deixar em seu lugar os traços do desamor, o estigma da maldade. Nenhum pedaço de carne humana merece ser golpeado pela indiferença, pela violência, pela injustiça. Portanto, não abatas a tiro, a tapas, a arranhões, o corpo da mulher.

  6. Não lhe negues, então, o olhar compassivo, as lágrimas conspurcadas por uma realidade que traiu teus sonhos. Quem quer que esteja no recinto sagrado do lar é, ao mesmo tempo, o sucessor do teu horror e da tua capacidade de maravilhar-se.

  7. Aprenda que o outro é o teu lar. É o teu corpo, o teu nome, o teu outro rosto. É o verso e o reverso de tuas entranhas. É o espelho de tua inalienável humanidade.

(Adaptado de: PICON, Nélida. Uma furtiva lágrima. Rio de Janeiro: Record, 2019. pp. 15-19)

 

No segmento: Não permitas que, sob o jugo de tua ira, mulher e filhos fiquem ao desabrigo da sorte, ingrata e imprevidente. Defende o teu lar de ti mesmo. O uso do modo imperativo

  1. revela a intenção de chamada à consciência e captura sensível de um receptor hipotético.
  2. reforça o caráter moralizante do texto, que pretende delimitar o que cabe a cada um dos membros de uma família ideal.
  3. descreve uma ação efetiva a ser realizada por todos os membros de uma família.
  4. tem a função de destacar a precariedade das relações humanas fora do âmbito familiar.
  5. aproxima afetivamente o leitor das ideias expostas, por meio de uma informalidade discursiva.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O trecho usa o modo imperativo em expressões como "Não permitas" e "Defende o teu lar de ti mesmo", dirigindo-se implicitamente a um interlocutor (“tu”/o homem).

Essa forma verbal não descreve fatos, mas exorta: funciona como um apelo moral imediato, buscando despertar a responsabilidade e o controle sobre impulsos violentos. Ao ordenar e aconselhar, o enunciador tenta provocar uma reação interna — reflexão, vergonha ou compaixão — no destinatário imaginado.

Assim, o uso do imperativo cumpre dupla função: é uma chamada à consciência e também uma estratégia de captura sensível, pois sensibiliza o receptor hipotético para o impacto de suas ações sobre mulher e filhos, tornando o enunciado persuasivo e ético.

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