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Questão FC337973

Leia o texto abaixo para responder à questão. A idolatria do PIB. - O PIB é invenção recente. A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada a

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2024

Leia o texto abaixo para responder à questão.

A idolatria do PIB. - O PIB é invenção recente. A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada ano surgiu no período entreguerras, mas foi só em meados do século passado que os órgãos oficiais passaram a calcular e publicar dados de PIB para os diferentes países. Nenhum dos grandes economistas clássicos - Smith, Ricardo, Malthus, Marx ou Mill - jamais foi instado a prever o PIB do ano ou trimestre seguintes. O culto do PIB como métrica de sucesso das nações tornou-se uma espécie de religião do nosso tempo. O crescimento é a meta suprema em nome da qual governos são eleitos ou rejeitados nas urnas, e um antropólogo marciano poderia supor que o acrônimo PIB nomeia a nossa divindade-mor na vida pública, enquanto o afã de consumo preenche o vazio da existência na esfera privada. - Mas o que exatamente está sendo medido? Imagine uma comunidade na qual a água potável é um bem livre e desfrutado por todos com a mesma facilidade com que obtemos o ar que respiramos; suponha, no entanto, que as fontes de água foram poluídas e agora se tornou necessário purificá-la, engarrafá-la e distribuí-la, de modo que todos precisam trabalhar um pouco mais a fim de comprá-la no mercado - o que acontece com o PIB dessa comunidade? O erro não é de magnitude, mas de sinal: as pessoas empobreceram, ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram. Daí que: se eu moro perto do meu local de trabalho e posso caminhar até ele, o PIB nada registra; mas, se preciso tomar uma condução e pagar o bilhete (sem falar no tempo encarcerado no trânsito), ele sobe. Se eu gosto do que faço, embora ganhando menos do que poderia, e passo a trabalhar sem a menor alegria para um mundo caduco, mas recebendo um aumento por isso, o PIB sobe. O PIB, em suma, mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços - e nada mais. E, quando se tornar inevitável portar garrafinhas de oxigênio na cintura a fim de seguir respirando, o PIB subirá de novo.

(GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos: uma perspectiva brasileira da crise civilizatória. São Paulo: Companhia das Letras. 2016. pp. 51-52)

 

Ao afirmar-se que O PIB, em suma, mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços - e nada mais, o autor reforça

  1. o contexto histórico em que a ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços surgiu.
  2. a importância do crescimento econômico como valor fundamental na avaliação dos governos democráticos de forma geral.
  3. as limitações de uma doutrina econômica que vê na medição do PIB um valor absoluto que orienta as ações políticas dos governos democráticos.
  4. o paradoxo explicitado no fato de as pessoas terem empobrecido ao passo que o PIB total e o PIB per capita subiram.
  5. a necessidade de que todos trabalhem um pouco mais para aquecer o mercado e promover o crescimento econômico.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

O autor critica a ideia de que o PIB seja um parâmetro absoluto capaz de guiar decisões públicas.

Ao afirmar que o PIB “mede o valor monetário dos bens e serviços que transitam pelo sistema de preços — e nada mais”, ele evidencia as limitações de uma doutrina econômica que confunde crescimento monetário com bem-estar social.

Exemplos no texto (água poluída que passa a ser vendida, aumento do transporte pago, ganho salarial sem alegria, venda de oxigênio) mostram que o PIB pode subir mesmo com perda de qualidade de vida.

Logo, o autor reforça que tomar o PIB como valor absoluto para orientar ações políticas é inadequado: políticas públicas devem considerar indicadores de bem-estar além do mero fluxo monetário.

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